A tapeçaria de Gilda Azevedo harmonia entre ritmo das formas e expressividade das cores

Acervo Artístico - Emanuel von Lauestein Massarani
05/10/2004 14:00

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Gilda Azevedo deve ser colocada entre os artistas que possuem o sentido do grande espaço cósmico e que nos fazem entender este sentido nas obras que apresentam aos nossos olhos, ao nosso intelecto, a nossa intuição, mais ou menos desenvolvida em cada um de nós, mas que todos possuímos. A intuição se torna sentimento e certeza e a artista amplia em dinamismo esta mesma certeza: com efeito, sua tapeçaria espacial é feita de ritmo e tensão.

Às vezes o ritmo e a tensão são interiores, fixados no ponto máximo de uma calma aparente; às vezes explodem, se inflamam, alcançam uma força pré-ciclônica, uma dramaticidade celeste - na maioria das vezes mais solar que noturna - cujos efeitos agem sobre nós como um grandioso espetáculo.

Gilda Azevedo criou verdadeiramente o espaço como tal, dispondo a sua arquitetura abstrata, a sua cenografia de linhas, formas e cores em grandes espaços amplos, rítmicos, nervosos e carregados de energia. Uma espécie de sensualidade tropical.

Na tapeçaria dessa artista sente-se a decidida vontade de afirmar uma presença primordial, uma dimensão universal na escala do infinito que envolva as próprias origens: o espaço de criação, com seus astros visíveis ou invisíveis, reais ou imaginários, seu aspecto físico ou mitológico, suas correntes saturas de eletricidade de alta voltagem ou seus ventos repletos de símbolos.

O ritmo das formas unidas à expressividade das cores, compõe um todo harmonioso onde os elementos de potencial vitalidade se transformam em uma expressão plástica. Na tapeçaria "Espaço Cósmico", oferecida por este crítico de arte ao Acervo Artístico da Assembléia Legislativa de São Paulo, a vibração dessas lentes nos transportam verdadeiramente, sob o ritmo de um poema lírico, em direção a esse além espacial onde os sonhos se agigantam.

A Artista

Gilda Azevedo, pseudônimo artístico de Gilda Azeredo de Azevedo, nasceu e faleceu no Rio de Janeiro. Pintora e tapeceira, teve sua formação nos cursos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Realizou sua primeira exposição em 1959, quando participou de uma coletiva no próprio Museu de Arte Moderna.

Participou de diversas exposições coletivas e individuais, destacando-se entre elas: I Salão de Arte Moderna do Distrito Federal; Galeria Montmartre-Jorge, Rio de Janeiro (1965); "Dez Pintores Brasileiros" (1967); Galeria La Tangara, Buenos Aires, Argentina (1968); Galeria Debret, Paris, França (1969); Galeria do Copacabana Palace, Rio de Janeiro (1971); Galeria da Embaixada do Brasil em Londres, Inglaterra (1972); "O Rosto e a Obra", Galeria do IBEU, Rio de Janeiro (1973); I Mostra de Tapeçaria Brasileira, Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado (1974); I Encontro de Tapeçaria Uruguai-Brasil, Montevidéu; Garage 2 Galeria de Arte, Curitiba; Galeria Oscar Seráfico, Brasília (1975); I Trienal da Tapeçaria Brasileira, Museu de Arte Moderna, SP (1976); Galeria Dedale, Genebra, Suíça (1979) e Galerie La-Chaux-de-Fond, Suíça (1980).

Participou do Encontro Argentino-Brasileiro-Uruguaio de Tapeçaria em Buenos Aires, no ano de 1977, e entre os diversos prêmios que recebeu, citam-se: "Aldeia Arcozêlo", I Salão do Pequeno Quadro da Galeria Guignard, Belo Horizonte, MG (1967); "Moinho Santista - Tapeçaria", São Paulo (1974).