PCC, os secretários e os celulares
Já era esperada a queda do secretário da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, Nagashi Furukawa, ocorrida pouco mais de uma semana após os sangrentos ataques do PCC. A exemplo do futebol, quando o time só perde, o técnico acaba caindo. E Furukawa caiu por não ter conseguido evitar o incrível crescimento do PCC, iniciado já na gestão de seu antecessor, João Benedicto de Azevedo Marques, quando Mário Covas era governador.
Ao anunciar sua demissão, Furukawa insinuou reclamações contra um companheiro de governo, o secretário da Segurança Pública, Saulo Abreu. Não se pode negar que ambos fracassaram em suas respectivas missões. Saulo, arrogante e despreparado, foi um erro do ex-governador Geraldo Alckmin, que fingiu acreditar no marketing para anunciar a inexistente queda da criminalidade no Estado. Furukawa, por sua vez, procurou colocar em prática a experiência de antigo diretor de uma pequena cadeia do interior, a de Bragança Paulista, algo que jamais poderia dar certo: não percebeu a enorme dimensão do PCC.
Na quarta-feira, dia 31, assumiu um novo secretário, Antônio Ferreira Pinto, procurador de Justiça, após a interinidade de Luís Carlos Catirse. Ferreira Pinto tem experiência, mas o governador Cláudio Lembo sabe que a crise não foi completamente superada. Em nome da segurança, é preciso mudar algo mais no governo e no estilo de lidar com presos de alta periculosidade. Por outro lado, espera-se bom-senso por parte do governo federal e do Poder Judiciário.
A discussão sobre a origem dos ataques do PCC contra alvos policiais e gente do povo tem oscilado entre o ótimo e o péssimo. Alguns veículos da mídia, de modo pelo menos estranho, passaram a criticar a tese de que os telefones celulares introduzidos nas cadeias tiveram participação decisiva naqueles ataques. Segundo alguns especialistas em telecomunicações, o celular nada tem que ver com as ações da facção criminosa. É um erro absurdo insistir nesse argumento, pois o PCC seria muito menos perigoso se cada um dos seus integrantes ficasse isolado nas cadeias, sem o privilégio de contar com aparelho capaz de colocá-lo instantaneamente em contato com o mundo externo.
Estamos numa verdadeira guerra. Estrategistas de guerra sabem que, para derrotar o inimigo, uma das iniciativas básicas é controlar a comunicação, combatendo a troca de informações. Foi por meio de telefones celulares que o PCC comandou, já em 2001, rebeliões em 29 cadeias do Estado de São Paulo, um sistema que os bandidos repetiram nos tristes acontecimentos deste ano.
O bandido carioca Fernandinho Beira-Mar também sabe disso: foi por um celular que ele agitou o Rio de Janeiro, direto de uma cadeia de sua cidade, até despertar a necessidade de ficar preso em outros Estados. Portanto, há uma evidente lógica no trabalho de revistar presos e controlar as visitas. Banir por completo os celulares das cadeias e bloquear o sinal na área das cadeias são providências básicas pela segurança. A ordem é esta: comunicação zero!
* Afanazio Jazadji é advogado e deputado estadual pelo PFL
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