Audiência pública discute revalidação de diplomas de médicos formados em Cuba
Com a presença do deputado federal Carlos Abicalil (PT/MT) e dos deputados estaduais Raul Marcelo (PSOL), Vicente Cândido e José Candido (ambos do PT), a Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba promoveu na quinta-feira, 20/8, audiência pública para discutir a revalidação dos diplomas de médicos formados em Cuba.
Vicente Cândido abriu o encontro declarando solidariedade aos estudantes e elegendo a revalidação como a iniciativa mais importante nos trabalhos da frente. A proposta teve concordância de Marcelo, coordenador do colegiado. Para ele, o Estado brasileiro não pode se dar ao luxo de dispensar uma mão de obra tão qualificada, já que é enorme a demanda por médicos, principalmente no interior e na periferia. Marcelo lembrou também que o Brasil "tem uma dívida moral com o governo cubano não só porque aquela pequena nação abriga estudantes pobres brasileiros e lhes dá formação qualificada " mais casa e comida, sem nada cobrar, quando deveria ocorrer exatamente o contrário, se comparados os tamanhos das duas nações ", como também por ter dado asilo político aos brasileiros perseguidos pelo regime militar na época da ditadura".
A médica sanitarista Maria do Carmo Cabral Carpintéro, presidente da Associação dos Secretários Municipais de Saúde de São Paulo, advertiu que não há consenso entre os associados quanto ao tema. Carpintéro reconhece que os municípios estão gastando com saúde os 15% que a lei determina, às vezes mais, "mas o Estado e a União não estão fazendo a sua parte". A médica falou que veio à audiência em busca de informações para repassar a outros secretários, de modo a tornar o debate mais qualificado.
Para frei David, da organização Educafro " Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes, o maior adversário das pretensões dos médicos formados em Cuba "não é o Poder Executivo, nem o Congresso, mas o Conselho Federal de Medicina, que apoia o modelo praticado no Brasil " a medicina curativa, que dá muito dinheiro a laboratórios ", em vez da medicina preventiva, adotada em Cuba. Temos de provocar os deputados e senadores e incentivá-los a agir com coragem para mudar o rumo da medicina no Brasil".
Após os pronunciamentos dos integrantes da mesa de trabalhos, Raul Marcelo abriu a discussão à participação dos presentes.
O deputado Raul Marcelo coordenou a reunião promovida pela Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba
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