Norah Beltrán cria, com ironia, opulentos e alegres personagens repletos de lirismo

Museu de Arte do Parlamento de São Paulo
10/04/2007 16:04

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Norah Beltrán<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Norha Beltran corte.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> La Espera<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Norah.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

É própria da arte latino-americana tanto literária quanto plástica essa tendência à deformação, essa exageração total como encontramos em García Márquez. É a caricatura da realidade na pintura e na literatura.

A temática da pintora Norah Beltrán é bem latino-americana, mas também uma realidade da arte. Seus personagens, apesar de suas dimensões superdotadas, são alegres e agradáveis. A artista pinta-os ao mesmo tempo com ironia e amor, como o mundo dos anões. Sempre no âmbito da cultura latino-americana, lendo, por exemplo, Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, e Pantaleão e Suas Visitantes, de Vargas Llosa, os personagens parecem sair de seus quadros.

A exaltação da forma através da sensualidade é uma tendência que existe desde quando se criou uma história da arte. Entretanto, na arte contemporânea, onde não existem barreiras, essa característica torna-se mais espetacular e, às vezes, até mesmo mais agressiva. Por sua vez, na arte moderna existe muito mais liberdade. Houve um tempo que, além dessa tendência, existia um respeito pelo real, respeitava-se a realidade mesmo dentro de uma determinada tendência estética.

Devemos ressaltar que, na história da arte, pintores como Ingres e Renoir sempre tiveram um fascínio pelas formas gordas e opulentas. Por quê? Sensualidade? Ou resultado de um tipo de pesquisa que Berenson denominava de "valores do tato"? O fato é que tanto Norah Beltrán, no Brasil, quanto Antonio Bueno, na Itália, e Fernando Botero, na Colômbia, criam os seus personagens extremamente dilatados e desfrutam uma liberdade que seus grandes predecessores não tiveram e que a fotografia tornou possível na pintura moderna.

A artista trabalha mais com a imaginação do que com a realidade. Inspirando-se na sua memória, elabora seus personagens através de uma informação suficiente da realidade, sem necessitar, portanto, de modelos.

Na obra La Espera, doada ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, suas cores vibrantes são trabalhadas com habilidade e as transparências que delas resultam surpreendem, criando uma atmosfera repleta de originalidade e gracioso lirismo.

A Artista

Norah Beltrán nasceu na Bolívia e se naturalizou brasileira. Desde muito cedo, manifestou seus dons artísticos, tendo cursado belas-artes na Europa e no Brasil, onde se formou em museologia e psicologia.

Participou de inúmeras exposições coletivas e particulares, destacando entre elas: Espaço Cultural de Polosi, Bolívia (1952); Galeria Strohkoffer, Viena, Áustria; Museu de Arte, Salzburg, Áustria; Kurst Halle Gallerie, Zurique, Suíça (1953); Salão Murilio, La Paz, Bolívia; Galeria Milano, La Paz, Bolívia; Bienal de Barcelona, Espanha (1955); I Salão de Artes Plásticas A.C.A., Buenos Aires, Argentina; XI Salão de Aquarelas e Desenho, Galeria Van Riel, Argentina; Galeria Penguin, Rio de Janeiro; Galeria Domus, Cataguases, MG (1958); V Bienal Internacional de São Paulo (1959); Salão Oficial de Arte, São Paulo (1962); XII Salão de Arte Moderna, São Paulo (1963); Salão de Arte Nacional, Rio de Janeiro (1962 e 1965); Museu de Arte Moderna, Campinas, SP; Galeria Chelsea, São Paulo (1965); Galeria Isla, Caracas, Venezuela (1970); Galeria Girassol, Campinas, SP; Galeria F. Domingo, São Paulo; Galeria Eucat, São Paulo (1972); Galeria Azulão, São Paulo (1973); Salão de Santo André, SP; Salão de Arte de Piracicaba, SP (1974); VIII Salão de Arte de São Paulo (1975); II Salão de Arte de Penápolis, SP; Salão dos Imigrantes; Museu de Arte de São Paulo, São Paulo; Salão de Arte de Itu, SP (1976); Casa das Américas, Museo del Barrio, Nova York, Estados Unidos (1979); Galeria Documenta, São Paulo (1980 e 1982); Lowenkeller Gallery, Reinash, Suíça; Museu de Arte Moderna, Universidade de Austin, Texas, Estados Unidos (1981); Galeria de Arte Actual, São Paulo; Sing Gallery, Nova York (1982); II e IV Salão de Arte Brasileira, Fundação MOA, São Paulo (1984 e 1985); Museu de Arte Contemporânea, São Paulo (1984); Galeria de Arte Major; IV Salão Brasil, Japão , Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro (1985); Galeria L. B. Tito, Podgorica, Iugoslávia (1986); Arte da Bolívia, Belgrado, Zarajebo e Zagred, Iugoslávia (1987); Hourian Art Gallery, Oakland, Califórnia, USA (1988); Hourian Art Gallery, São Francisco, USA (1989); Troyanowska Gallery, São Francisco, USA (1990); II Bienal Internacional de São Paulo (1993); Bienal de São Paulo; Memorial da América Latina, São Paulo (1995); Galeria Sheratón Mofarrej, São Paulo; Centro Cultural Pompéia, São Paulo; Galeria Vila Formosa, Rio de Janeiro (1997); e Galeria Andy Julien, Zurique, Suíça (2003).

Por diversas vezes premiada na Bolívia e no Brasil, a artista tem obras em coleções oficiais e particulares da Bolívia, Paraguai, Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, Cuba, Japão, Iugoslávia e Estados Unidos e no Museu de Arte do Parlamento de São Paulo.