Comissão da Verdade trata do caso Ferreira Araújo


26/02/2013 21:55 | Da Redação: Monica Ferrero Foto: José Antonio Teixeira

Elza Lobo, Maria Elizabeth de Almeida e Claudio Antonio de Almeida  <a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-02-2013/fg121655.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Maurílio Ferreira de Araújo (ao microfone) sobrinho de José Maria <a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-02-2013/fg121656.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Maria Elizabeth de Almeida<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-02-2013/fg121657.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> João Maria Ferreira de Araujo  <a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-02-2013/fg121658.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Adriano Diogo fala na reunião da Comissão da Verdade Rubens Paiva desta terça-feira, 26/2 <a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-02-2013/fg121659.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Maria Elizabeth de Almeida<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-02-2013/fg121660.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Na tarde de 26/2, a Comissão da Verdade Rubens Paiva continuou com a oitiva sobre desaparecidos na ditadura militar. O primeiro caso a ser tratado foi o de José Maria Ferreira Araújo, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), desaparecido desde sua prisão, em 23/9/1970, quando foi levado ao DOI/Codi, onde morreu em consequência das torturas que lhe foram infligidas.

Ele foi enterrado sob o nome de Edson Cabral Sardinha, e seu corpo nunca foi encontrado. Era casado com Soledad Barret Viedma, morta em janeiro de 1973, também delatada pelo cabo Anselmo, seu companheiro na época e pai do filho que ela esperava.

De sua união com a paraguaia Soledad, que era de uma família de militantes em seu país e que conheceu em Cuba durante treinamento, José Maria teve uma filha, Ñasaindi, que depôs na comissão.

Adotada com um ano e meio pela família brasileira de Damaris Lucena, em Cuba, pois os pais vieram ao Brasil em 1970 para continuar com a luta política, Ñasaindi só retornou ao Brasil em 1980. Ela falou do resgate de sua identidade familiar, sendo que só aos 14 anos conseguiu contato com a família paterna e, apenas em 1996, conseguiu regularizar sua documentação.

Também falou à comissão João Maria Araújo, sobre a trajetória de vida e a formação política de seu irmão de José. João leu carta de seu irmão Paulo, que narra as buscas por notícias de José. Cecília e Leandro, sobrinhos de João Maria, também falaram à comissão. Maurílio Araújo, também sobrinho do desaparecido, afirmou que a família espera que os documentos oficiais da Marinha sejam retificados, pois neles consta que João Maria teria sido expulso por traição.



Retomada



A seguir passou-se à retomada da oitiva sobre o desaparecimento, em outubro de 1973, do militante da Ação Popular Marxista-Leninista (APML) e presidente da União Nacional dos Estudantes Honestino Monteiro Guimarães, cujo corpo nunca foi achado.

Maria Elisabete Barbosa de Almeida, amiga da família de Honestino, falou de sua prisão, onde pesa a suspeita de delação por parte de um colega da APML, Pedro Calmon, que teria sido o responsável pela prisão de diversos militantes. Ela divulgou também o site www.honestinoguimaraes.com.br e o livro de sua autoria, Paixão de Honestino, que deve ser lançado pela Editora UNB.

Participante da Comissão da Verdade da UNB, e amigo desde a adolescência de Honestino, Cláudio Antonio Almeida lamentou que as instituições militares ainda hoje soneguem informações ou enviem dados sem valor quando consultadas. Afirmou ainda ter visto Honestino muito ferido por torturas, após sua prisão em agosto de 1968, depois da invasão policial na UNB.

Também falaram à comissão Elza Lobo, amiga da família e colega de UNB de Honestino; Yuri Pires, atual vice-presidente da UNE; Amélia Teles e Rosalinda Santa Cruz. Esteve presente à reunião o deputado João Paulo Rillo (PT).

Ao término da reunião, o presidente da comissão, Adriano Diogo (PT) ressaltou que os trabalhos da comissão estadual, diferentemente da nacional, são abertos à população, e não restritos a autoridades. Disse também ser uma vergonha que o Brasil ainda mantenha seu aparato repressivo e de investigação intactos. "Estamos no país da mentira, apesar do esforço de estabelecer a verdade, pois a comunidade de informações ainda continua mantendo segredos. A verdade só aparecerá se a população brasileira se mobilizar em defesa dela", finalizou.