A trajetória de Ronaldo Mouth Queiroz é relembrada na Comissão da Verdade
18/07/2013 20:45 | Da redação Foto: Reprodução TV Assembleia
A Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva, presidida pelo deputado Adriano Diogo (PT), abriu espaço na reunião desta quinta-feira, 18/7, para ex-colegas de faculdade de Ronaldo Mouth Queiroz fazerem um relato da convivência com este líder estudantil vinculado a ALN (Aliança Libertadora Nacional), que foi executado por integrantes das forças de repressão durante a ditadura militar.
Ronaldo era estudante da Geologia da USP, dirigiu o DCE (Diretório Central dos Estudantes) a partir de 1970 e foi um dos responsáveis por manter o movimento estudantil ativo apesar da intensa repressão.
O integrante da ALN foi morto a tiros no dia 6/4/1973, num ponto de ônibus da avenida Angélica, em São Paulo, por, segundo informações do livro Memorial de uma Guerra Suja: Paulo Jorge, tenente da PM; Ademar Augusto de Oliveira (Fininho), policial civil; Claudio Guerra e pelo sargento Jair.
Farsa
Como em outros casos de mortes realizadas por forças do regime militar, a morte de Ronaldo foi atestada pelos legistas Isaac Abramovitc e Orlando Brandão como resultante de uma troca de tiros. Esta versão é contestada a partir do testemunho de Sidnei Queiroz e de Paulo Antônio Guerra, que estavam no mesmo ponto de ônibus que Ronaldo.
"Quando esperava o ônibus num ponto da avenida Angélica, Ronaldo foi assassinado por agentes do Dops: um tiro abaixo do lábio esquerdo e outro no hemitorax esquerdo", afirmou Sidnei em seu depoimento ao GTNM/RJ.
Paulo Guerra dá mais detalhes: "três homens desceram de uma perua veraneio: um japonês, um de aparência forte e outro de barba, vestindo jaqueta azul e de arma na mão. Um deles disse: É esse, é esse".
Depois, segue Paulo Guerra: "o de jaqueta azul friamente disparou um tiro no Ronaldo, que caiu, mas o assassino disparou outro tiro de cima para baixo, embora não houvesse resistência. Depois o agente do Dops colocou um revólver na mão de Ronaldo, outro na cintura e uma pequena agenda no seu bolso. Depois mentiram, como sempre, aos jornais que houve um intenso tiroteio".
Segundo revelações do ex-agente do DOI-CODI/SP, Marival Chaves do Canto, à revista Veja, Ronaldo e outros militantes da ALN foram denunciados pelo médico João Henrique Ferreira de Carvalho, o Jota, que era um agente infiltrado no movimento estudantil. A atuação de Jota redundou na morte de mais de 20 pessoas.
Solidário
Uma palavra comum aos relatos de três colegas de faculdade que depuseram na Comissão da Verdade era a de que Ronaldo Mouth Queiroz era um amigo solidário para todas as horas e um apaixonado pela geologia.
João Jerônimo, Jobe de Jesus Batista e Amado Matos recordaram diversos fatos da convivência com Ronaldo e destacaram que ele tinha bom humor e facilidade para escrever e transmitir suas ideias. "Era um rapaz empenhado em melhorar o Brasil."
O presidente da comissão, Adriano Diogo, também deu seu testemunho da convivência que teve com Ronaldo e destacou sua clareza política e seu empenho em reorganizar o movimento estudantil.
Diogo sugeriu que os colegas da geologia deveriam se organizar para pedir a reparação política de Ronaldo já que não existem mais familiares vivos para pedir indenização. (PM)
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