Opinião - Não lavemos as mãos, jamais!


12/09/2013 09:59 | Vitor Sapienza*

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Em que pese não concordarmos com muito do que ouvimos nos meios de comunicação e também nas conversas do cotidiano, somos obrigados a expor a nossa compreensão ao defendermos o direito de as pessoas se manifestarem. E essa prática deve ser comum a todos os que defendem a democracia. É ela que nos garante o direito de falar e, acima de tudo, conviver com as opiniões contrárias.

Assim, nos inúmeros contatos que mantemos com os eleitores, tanto na capital como no interior, muitas vezes ouvimos as pessoas manifestarem o seu descontentamento para com a classe política. Alguns chegam ao ponto de condenarem a política como um todo, e é nesse instante que tentamos mostrar o engano que pode estar sendo praticado.

Podemos não gostar deste ou daquele político, afinal a simpatia ou antipatia são comuns e podem se encaixar em qualquer situação. O engano, a nosso ver, é a pessoa dizer que não gosta de "política". Quando viramos as costas para a política, não devemos nos esquecer que ela é responsável pelos erros e acertos de uma sociedade. Ela está por trás do bom ou do mau atendimento na saúde pública, no transporte, na educação, na segurança, na economia, no bem-estar da sociedade.

Quando viramos as costas para a política estamos, na verdade, dando a oportunidade para que outras pessoas falem por nós, estamos dando a chance de as coisas continuarem como estão. O conhecimento é originário da discussão, do debate, da troca de opiniões, de ideias. É discutindo, é fazendo política, é dando a nossa opinião que podemos mudar o quadro das coisas. O ser humano faz política desde que nasce, quando chora para conseguir alimento; e continua na infância quando troca o lazer pela obrigação, quando negocia com os pais algum benefício. A política faz parte da vida do ser humano, embora nem todos tenham consciência disso.

Virar as costas para a política pode ser traduzido com uma palavra muito simples, porém agressiva: omissão. Fiquemos com outro termo, o hábito de se "lavar as mãos". Sobre isso, podemos citar uma música de Ivan Lins, que diz "só não lavei as mãos e é por isso que eu me sinto cada vez mais limpo". Isso, limpo. O fato de se "lavar as mãos" não significa, em hipótese alguma, sinal de limpeza, ao contrário.

Na história da humanidade temos um exemplo em que um cidadão lavou as mãos e deu no que deu, ou seja, o filho de Deus foi crucificado. O fato deixa claro que na história não há lugar para omissos, embora Pilatos lá esteja, classificado como o mais famoso deles.

*Vitor Sapienza é deputado estadual (PPS), ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, economista e agente fiscal de rendas aposentado.

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