Opinião: A prisão, a mídia e os direitos humanos
Em 10 de dezembro comemora-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos. A data marca a promulgação da Declaração Internacional dos Direitos Humanos, em 1948. O documento foi elaborado sob o impacto dos horrores praticados na 2ª Guerra Mundial, como tentativa de evitar que seres humanos fossem novamente tratados com crueldade.
O documento afirma o direito universal à vida, à liberdade e ao acesso a bens econômicos, sociais e culturais. São 30 artigos que, objetivamente, definem a relação que deve existir entre Estado e sociedade civil " direitos e deveres.
Embora o Brasil tenha aderido à Declaração dos Direitos Humanos e às demais normas internacionais que ratificam o documento, comprometendo-se a obedecer e colocar em prática cada um dos artigos, o termo direitos humanos ficou conhecido entre nós apenas na década de 70, durante a ditadura militar.
Naquele período, os filhos da classe média foram presos por seu envolvimento na resistência à ditadura militar e submetidos ao mesmo tratamento dispensado aos presos comuns. Seus familiares e amigos ficaram horrorizados com os maus tratos, torturas e privações impostas e se mobilizaram, invocando os direitos humanos.
As igrejas, presentes nas prisões desde sempre, pessoas e entidades da sociedade civil, lideradas pela igreja católica e organizadas na Comissão Justiça e Paz da arquidiocese de São Paulo, denunciaram as arbitrariedades interna e externamente.
Até mesmo a imprensa comercial, que apoiou o golpe militar sempre de olho nas vantagens econômicas e manutenção de status quo, colocou-se " na medida em que sua subserviência permitia " contra a tortura e as condições sub-humanas das prisões. É bem verdade, a preocupação era com seus iguais, os filhos da classe média, mas o movimento terminou por jogar luz na crueldade imposta pelo Estado às pessoas que estão sob sua tutela.
Os grupos coniventes com as arbitrariedades espalham, desde então, a ideia de que "a turma dos direitos humanos só defende bandido". Esta frase é repetida à exaustão pela mídia, agentes públicos violentos e pessoas comuns que, distantes da realidade das prisões, desinformadas sobre sua ineficácia e ineficiência no combate à violência e, envenenadas pela ideia de vingança, clamam por mais e mais violência do Estado contra os indivíduos.
Neste 10 de Dezembro teremos pouco a comemorar no Brasil. Aliás, vamos registrar um tremendo retrocesso na afirmação histórica dos Direitos Humanos em nosso país. A prisão dos envolvidos na Ação Penal nº 470 tem provocado reações agressivas.
Diferentemente do ocorrido na década de 70, quando setores da classe média, incluindo a imprensa comercial, denunciaram e colocaram-se contra os maus tratos dos presos, atualmente estes mesmos grupos clamam para que os presos "famosos" sejam submetidos às mesmas condições do total da população carcerária.
Cegos pela vingança e interesses político-partidários, imprensa e setores da classe média não informam corretamente que o atendimento médico, o respeito aos visitantes, o acesso à alimentação adequada e outras medidas exigidas por advogados e familiares dos presos "famosos" são direitos, previstos em normas nacionais e internacionais, como a Constituição Federal e a Lei de Execução Penal (Lei Federal 7.210/1984).
Continuamos defendendo as penas alternativas e que as prisões ofereçam políticas públicas e condições para que, quando conquistarem a liberdade, os egressos assumam seu lugar de cidadania na sociedade.
Neste Dia Internacional dos Direitos Humanos, reafirmaremos aquilo que temos praticado e defendido ao longo de toda a vida: todas as pessoas têm direito a todos os direitos, inclusive as presas, sejam "famosas" ou anônimas.
Notícias mais lidas
- Alesp aprova novo valor do Salário Mínimo Paulista, de R$ 1.874
- Aprovados na Alesp, novo Salário Mínimo Paulista e abono a servidores são sancionados
- Aposentados e pensionistas defendem restituição dos valores previdenciários descontados
- Dezembro Vermelho: pesquisas de cura do HIV avançam em universidade pública paulista
- Alesp aprova e motos de até 180 cilindradas não pagam mais IPVA em SP
- Alesp aprova aumento de 10% para policiais militares, civis e técnico-científicos
- Audiência pública cobra devolução de valores confiscados de aposentadorias e pensões
- Reforma no Código de Trânsito Brasileiro é debatida na Alesp
- Deputado pede a Estado proteção a perito que relatou pressão na investigação do caso Vitória
Lista de Deputados
Mesa Diretora
Líderes
Relação de Presidentes
Parlamentares desde 1947
Frentes Parlamentares
Prestação de Contas
Presença em Plenário
Código de Ética
Corregedoria Parlamentar
Perda de Mandato
Veículos do Gabinete
O Trabalho do Deputado
Pesquisa de Proposições
Sobre o Processo Legislativo
Regimento Interno
Questões de Ordem
Processos
Sessões Plenárias
Votações no Plenário
Ordem do Dia
Pauta
Consolidação de Leis
Notificação de Tramitação
Comissões Permanentes
CPIs
Relatórios Anuais
Pesquisa nas Atas das Comissões
O que é uma Comissão
Prêmio Beth Lobo
Prêmio Inezita Barroso
Prêmio Santo Dias
Legislação Estadual
Orçamento
Atos e Decisões
Constituições
Regimento Interno
Coletâneas de Leis
Constituinte Estadual 1988-89
Legislação Eleitoral
Notificação de Alterações