Comissão da Verdade recebe testemunha inédita do caso Edgar Aquino Duarte
Nesta quinta-feira, 29/5, a Comissão estadual da Verdade Rubens Paiva realizará audiência pública com testemunho de Maria José Wilhensen, que era sócia numa corretora de valores junto com Edgar Aquino Duarte, que está desaparecido desde 1973. Edgar era amigo de José Anselmo dos Santos, vulgo Cabo Anselmo, o agente infiltrado responsável por entregar diversos perseguidos políticos, muitos dos quais mortos ou desaparecidos. Alselmo se abrigou na casa de Edgar quando foi este foi preso em 30 de maio de 1971.
Edgar Aquino Duarte integrou a Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil quando participou da revolta dos marinheiros, ocorrida no calor do golpe de 1964, e foi expulso da corporação. Obrigado a se exilar - primeiro no México e, depois, em Cuba - só voltou ao Brasil em 1968. Para tentar estabilizar a vida no país, passou a usar o nome Ivan Marques Lemos e foi trabalhar como corretor na Bolsa de Valores de São Paulo. Ele morava na rua Martins Fontes, quase esquina da praça Roosevelt.
Foi por solidariedade ao amigo dos tempos de Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais que Edgar abrigou Anselmo em sua casa. Enquanto isso, Anselmo havia assumido o papel de agente infiltrado com a função de atrair militantes para serem assassinados cruelmente pela repressão, especialmente pela equipe do então delegado Sérgio Paranhos Fleury.
Crime permanente
Por não ter sido encontrado o corpo até hoje, o crime (de sequestro) se estenderia no tempo indefinidamente, estando fora do alcance da Lei de Anistia, por isso, o Ministério Público Federal moveu uma ação contra os réus que ainda estão vivos, dois fizeram parte da equipe do Fleury, Carlos Alberto Augusto (Carlinhos Metralha) e Alcides Singilo. O outro, Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandava o DOI-Dodi de São Paulo na época que Edgar esteve preso.
A audiência pública sobre o caso Edgar Aquino Duarte será realizada no auditório Teotônio Vilela, a partir das 14h. Mais cedo, às 11h, a comissão receberá da Defensoria Pública de São Paulo informações sobre um caso novo a ser apurado. Trata-se da morte, em situação suspeita, de Francisco de Assis Figueiredo, em 20/05/1968.
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