Ameaçado de extinção, o xaxim tem sua industrialização e comercialização proibida há dez anos

Lei 11.754 foi aprovada pela Assembleia Legislativa em julho de 2004
02/10/2014 16:28 | Da Redação: Keiko Yamo Bailone

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Vaso de fibra de casca de coco é a alternativa ao xaxim <a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2014/fg165243.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

O Diário da Assembleia está publicando leis que há uma década foram aprovadas pelo Parlamento paulista, causando significativo impacto junto à população paulista. Uma delas é a lei n.° 11.754, de 1.° de julho de 2004, que proíbe a industrialização e comercialização de produtos e artefatos provenientes, direta ou indiretamente, da extração do xaxim.

Em razão de sua intensa exploração comercial destinada à jardinagem e floricultura, o xaxim, conhecido como samambaiaçu-imperial (Dicksonia sellowianna), passou a integrar a lista de espécies da flora nacional ameaçadas de extinção.

A justificativa

Segundo o autor da lei, o deputado Sebastião Almeida, do PT, "o xaxim, outrora abundante no ambiente natural, junto ao sub-bosque da Mata Atlântica, encontrado em áreas com mais de 800 metros de altitude foi vítima de suas próprias virtudes. O aproveitamento econômico de seu tronco como vaso e substrato para orquídeas e outras plantas, justamente para saciar a carência do verde e minimizar a falta de contato das cidades com a natureza, provocou o extermínio desta espécie e de suas hepífitas (planta que vive sobre outra planta) em solo brasileiro".

De fato, em ambiente natural, no tronco do xaxim desenvolvem-se diversas samambaias, liquens e orquídeas, muito dos quais endêmicos, que formam um verdadeiro jardim botânico. O problema é o que o xaxim cresce muito lentamente: de cinco a oito cm por ano, sendo necessários, portanto, quase 50 anos para se obter um vaso de 40 a 50 cm de diâmetro.

O texto da lei

A iniciativa parlamentar aprovada na Assembleia Legislativa, definiu que a industrialização e a comercialização ficavam permitidas apenas para o cultivo em viveiros autorizados e cadastrados junto aos órgãos ambientais e a identificação de origem do produto deveria estar nas embalagens do material. Entre os subprodutos do xaxim, estão vasos, estacas, placas e arranjos.

Alternativas ao xaxim

Existem hoje no mercado produtos alternativos que substituem o xaxim. Um deles é a fibra de coco, que tem capacidade de germinação excepcional. Para se ter uma ideia, o coco que cai do coqueiro e rola em direção ao mar, carrega um embrião, enquanto suas raízes estão enraizadas na parte interna da casca do coco. Essa casca, fibrosa, funciona como um órgão de flutuação e proteção, um verdadeiro "berçário" para o embrião do coco na fase de germinação e desenvolvimento inicial. As fibras e os grânulos que compõem a casca protegem o embrião do efeito corrosivo e salino da água do mar, ao mesmo tempo em que oferecem um meio de crescimento (substrato) poroso, que retém umidade sem, contudo, ressecar ao sol ou encharcar enquanto flutua sobre a água. Uma verdadeira "célula de sobrevivência" criada pela natureza!

O xaxim

Apesar de ser uma das espécies vegetais mais antigas, contemporânea dos dinossauros, a Dicksonia selowiana ainda é desconhecida para a ciência. NativA da Mata Atlântica, encontradA desde Minas até o Rio grande do Sul já foi vista também na América Central, em regiões de alta umidade com mais de 800 metros de altitude.

Chega a atingir dez metros de altura, razão pela qual é conhecido popularmente como Samambaia-açu - "açu" que em Tupi significa "grande". Fruto das florestas primitivas, conseguiu sobreviver a todas às adversidades climáticas ( período jurássico aos dias de hoje - 150 milhões de anos), sendo hoje considerado um fóssil vivo.

Vítima da sua beleza e funcionalidade, o xaxim foi explorado indiscriminadamente para confecção de vasos, placas e desfibrado como substrato para plantas, em especial as orquídeas. Hoje, apesar das proibições, ainda pode ser encontrado em jardins como parte de projetos paisagísticos. Uma planta que leva aproximadamente vinte anos para crescer 50 cm é retirada da natureza viva e transferida para esses jardins. Em alguns casos, por falta de adaptação adequada,secam e morrem, sendo descartados sem a menor consideração.

Ao retirar o xaxim da floresta, ocorre também a destruição de várias espécies de plantas epífitas como as samambaias, liquens e orquídeas silvestres que utilizam o Dicksonia sellowianna como suporte para fixação de suas raízes e coleta de nutrientes para a sua sobrevivência.