Debate na Assembleia condena uso de bala de borracha
10/12/2014 20:27 | Da Redação: Joel Melo Fotos: Roberto Navarro
Conforme lembrou o autor do projeto, deputado Luiz Claudio Marcolino (PT), a parte que cabe à Assembleia Legislativa para impedir o uso da bala de borracha foi feita. Falta a sanção do governador que, segundo Marcolino, depende de ações da sociedade organizada, principalmente dos diversos grupos presentes ao debate realizado nesta terça-feira, 9/12, no auditório Teotônio Vilela da Assembleia. O deputado disse que vai continuar trabalhando, mas que o momento é de "juntar forças para pressionar o governador a se posicionar contra a repressão desproporcional da polícia, principalmente em manifestações populares".
Coordenando os trabalhos, o deputado Professor Tito (PT) contou sobre o esforço da bancada do PT para conseguir a aprovação do projeto. Depois da apresentação de um vídeo que mostrava o governador negando o uso daquele tipo de munição, enquanto as imagens mostravam as pessoas feridas, numa evidente contradição entre imagem e discurso, os integrantes da mesa desta reunião passaram a condenar o uso de bala de borracha não só nas manifestações, como também nas reintegrações de posse, ou em qualquer outra concentração de pessoas.
O deputado João Paulo Rillo (PT) falou que o governador, ao proibir o uso de máscaras nas manifestações, escolheu um lado para apoiar. Rillo quer que o governador, num ato de justiça, apoie também o lado que está sofrendo as violências, sancionando o PL.
O principal relato das violências geradas por esse tipo de munição foi feito pelo fotógrafo Sergio Silva, que perdeu um olho quando trabalhava fotografando a manifestação contra o aumento da tarifa dos transportes públicos. Sergio mostrou a bala que o atingiu e que o deixou cego do olho esquerdo. Sergio disse que a partir desse episódio tornou-se um militante da desmilitarização da polícia e convidou o governador a sancionar o projeto dizendo: "só falta você".
O representante da Defensoria Pública de São Paulo, Rafael Português, falou que a aprovação da lei pode ser um caminho para a população paulista sentir orgulho de seus policiais. "O governador tem a oportunidade de dar a São Paulo uma polícia ainda mais profissional", disse.
Além dos citados, estavam presentes representantes do Minha Sampa, do Conectas, dos Advogados Ativistas, do Artigo 19 e da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado de São Paulo, entre outros.
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