Comunidade USP programa evento para coibir trote
12/01/2015 18:49 | Da Redação: Keiko Bailone Fotos Carlos Magno
Sob a coordenação da professora Zilda Iokoi, mestre e doutora em história social pela USP, docentes, representantes da Guarda Universitária, Centro Acadêmico e estudantes debateram nesta segunda-feira, 12/1, a realização de um evento para coibir o trote praticado contra os calouros. O deputado Adriano Diogo (PT), que preside a CPI que investiga as violações dos direitos humanos e demais ilegalidades ocorridas no âmbito das universidades paulistas participou da reunião.
A data definida foi 24 de fevereiro, com início às 9h, no início da semana de recepção aos calouros (23 a 27/2). O local escolhido foi o anfiteatro da Faculdade de Medicina da USP, mas houve consenso sobre a necessidade de tornar claro que as denúncias feitas por alunos dessa instituição em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia não se restringem somente ao curso de medicina.
O nome do evento, sugerido inicialmente por integrantes do Diversitas - Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias Conflitos da USP, presidido por Zilda Iokoi, sofreu pequenas modificações e será "Democracia universitária. Ética, corpo e não opressão: nenhuma vida vale menos".
"Estamos falando de uma violência que hierarquiza classes sociais; algo forte onde o machismo se impõe, os homossexuais não podem se emancipar e vivem em guetos, de banditismo", afirmou.
O professor Marco Ackerman, da Faculdade de Saúde Pública da USP, explicou que "há um discurso forte de que o trote é necessário" nas faculdades e, portanto, sugeriu a presença de "trotistas" nesse evento para mostrar o contraditório. Outro especialista no assunto, o sociólogo Antonio Ribeiro Almeida Jr., discordou de convite aos trotistas e também do uso de palavras que remetam à cultura do trote, como calouro e veterano.
O deputado Adriano Diogo relatou casos ouvidos na CPI de violações dos direitos humanos nas universidades e afirmou que fatos já ocorridos serão apurados e que a comissão tem "uma enorme contribuição a dar" para que os trotes acabem de vez.
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