Debate sobre retomada da Hidrovia Tietê-Paraná é realizado em Pederneiras
11/12/2015 18:53 | Texto e foto: Marisa Mello
Localizada na região de Bauru, a cidade de Pederneiras foi escolhida para sediar o primeiro debate de uma série que a Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais pretende promover para tratar da retomada da Hidrovia Tietê-Paraná. A reunião foi realizada nesta sexta-feira, 11/12, na Câmara de Pederneiras, cidade que conta com quatro modais: porto, aeroporto, ferrovia e rodovia.
Carlos Neder (PT) representou a comissão na mesa de trabalhos, coordenada pelo vice-prefeito de Pederneiras, Juarez de Freitas, ao lado do prefeito Daniel Pereira de Camargo, de Pederneiras, do presidente da Câmara, Adriano Alves, da vereadora de Pederneiras Durvalina Simões, entre outras autoridades.
O prefeito lembrou que a cidade sofreu um impacto econômico negativo, com forte desemprego, após a desativação da hidrovia, e o presidente da Câmara acredita que este modal é o mais viável economicamente, sendo utilizado em países com economia consolidada. Já o vice-prefeito lembrou que a perda com a paralisação da hidrovia é de cerca de R$ 200 milhões/mês. Para Freitas, a hidrovia merece tratamento no mesmo nível de importância das usinas hidrelétricas.
O representante do Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial do Estado de São Paulo (Sindasp), Edson Palmesan, disse que a desativação da hidrovia fechou cerca de mil postos de trabalho e adiantou que a mão de obra especializada acabou migrando para outras regiões do país. "Isso implica cursos de capacitação para novos trabalhadores, possibilitando a retomada da hidrovia, o que não será uma tarefa fácil." Ele deixou claro que a geração de energia não inviabiliza a navegação, ainda que em tempos de crise hídrica. "Espero agora conseguir um marco regulatório para a hidrovia Tietê-Paraná."
Marco Antonio de Araujo falou em nome do Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo. Ele afirmou que, apesar de a hidrovia ter obstáculos geográficos, como desníveis que demandam eclusas, ela ainda é o melhor modal existente. "Temos atualmente um investimento de R$ 1,5 milhão em hidrovias." Araujo destacou que a hidrovia deverá futuramente abranger o rio Piracicaba e a barragem de Nova Avanhandava. "Sendo assim o governo estadual tem dado atenção às hidrovias, porém em 2014 tivemos um ano de seca acima do normal. Por isso, vamos investir em aprofundamento de rios." O representante lamentou que órgãos da esfera federal não respeitam restrições de navegabilidade e também pediu um marco regulatório.
Divulgação necessária
O representante da comissão, Carlos Neder, sugeriu que os municípios do entorno da hidrovia e, portanto, interessados no assunto, divulguem a importância da hidrovia e as potencialidades de cada cidade. "Eu próprio, em pesquisa sobre o tema, encontrei um único material de Barra Bonita."
Ele explicou que, após ser procurado por comitiva de Pederneiras, apresentou requerimento para que a audiência fosse realizada, o qual foi aprovado pela comissão, presidida por Davi Zaia (PPS). "Espero que segmentos empresariais e a sociedade civil assumam essa bandeira: a Hidrovia Tietê-Paraná. Para tal, espero realizar novos debates em cidades localizadas ao longo do rio Tietê, de forma a colher sugestões que permitam um projeto de retomada da hidrovia." Neder afirmou que a hidrovia é ideal, sobretudo para o transporte de cargas perigosas, o que preservaria os usuários de rodovias de eventuais acidentes com explosões.
O deputado informou que deve ser realizada uma audiência pública na Assembleia Legislativa com a presença de mais autoridades das diferentes esferas de governo, para que possam, em conjunto, elaborar um marco regulatório das hidrovias.
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