Combate à violência na periferia é tema de audiência na Assembleia
Com a participação de moradores de bairros da periferia, principalmente da região do Jabaquara, Embu da Artes, Tatuapé e Guaianazes, foi realizada nesta quinta-feira, 29/4, audiência para discutir a violência sofrida pelos que residem nesses bairros. Segundo o deputado Carlos Giannazi (PSOL), organizador do encontro, a violência contra os segmentos mais pobres da população da capital é sistemática e tem origens, como policial ou institucional. "Estamos aqui para ouvir os relatos dos moradores e, em seguida, encaminhá-los ao Ministério Público, ao Ministério da Justiça, à Secretaria de Segurança Pública e à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa para providências contra o extermínio da população jovem da periferia, principalmente os negros, mestiços e pobres", afirmou Giannazi.
Perguntado se os dados fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública, que dão conta de que a violência vem diminuindo em São Paulo, são confiáveis, Giannazi respondeu: "são fictícios e foram desmentidos por várias organizações".
Denúncias
A iniciativa do debate surgiu da Casa de Cultura Santa Tereza, espaço de inclusão social e cultural da cidade de Embu das Artes, que denunciou a arbitrariedade da prisão, em janeiro deste ano, de um dos frequentadores da entidade, Fabiano Ferreira de Souza. Mães dos jovens Sandro Henrique Rocha Galindo e Rodrigo Tisano dos Santos, ambos moradores do bairro do Jabaquara (zona sul da capital) e presos há seis meses, também reclamaram da falta de provas e da maneira como as polícias civil e militar conduziram o caso, que resultou no encarceramento dos dois.
Todos os que se pronunciaram na audiência denunciaram a forma violenta de abordagem e tratamento da polícia e da Justiça, dada aos que têm características etárias, geográficas, étnicas, sexuais e econômicas historicamente marginalizadas.
Foram feitas algumas sugestões para diminuir a violência, como a mudança de horário para após 22h de programas de tevê especializados em violência, para evitar que crianças assistam a banalização de tiroteios e mortes e alimentem preconceitos.
*Com colaboração da assessoria do deputado Carlos Giannazi.
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