Pintores ao ar livre criticam restrições da Pinacoteca

Diretor diz que artistas devem solicitar autorização com antecedência de 72 horas para utilizar áreas do museu
06/06/2016 18:19 | Fernando Caldas - Foto: Vera Massaro

diretor-geral da Pinacoteca ouve fala de manifestantes<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2016/fg190399.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Pintores que integram a Associação Paulista de Belas Artes e diretores da Pinacoteca do Estado de São Paulo participaram nesta segunda-feira, 6/6, de audiência promovida pelo deputado Carlos Giannazi (PSOL) para discutir episódio ocorrido há algumas semanas, no qual artistas teriam sido impedidos, por seguranças particulares, de permanecer no espaço externo do museu com seus cavaletes.

Segundo o artista plástico Edu das Águas, agentes de segurança privada o proibiram de pintar em uma área próxima ao estacionamento da Pinacoteca. "Um artista com seu cavalete não poder permanecer no exterior de um museu é revoltante", disse.

Também pintor ao ar livre, João Alves da Silva disse que alguns artistas resolveram há três meses pintar ao vivo no Parque da Luz. A administração do parque, entretanto, exigiu deles uma licença, mas não souberam informar sobre a legislação que impõe essa exigência. Disse que a proibição de exercer sua atividade artística no espaço entre o parque e o estacionamento da Pinacoteca partiu de funcionários do museu, que alegaram que aquele espaço não era público e, portanto, não poderiam permanecer ali.

O diretor-geral da Pinacoteca, Domingos Tadeu Chiarelli, esclareceu o fato que deu origem aos problemas relatados na audiência. Segundo ele, há algumas semanas, um artista foi pintar no estacionamento do museu. Uma área com espaço exíguo, onde são recebidos visitantes, estudantes e funcionários. Nesse dia, um funcionário da Pinacoteca abordou o artista preocupado com a segurança do próprio artista e das pessoas que transitam pelo estacionamento.

Chiarelli explicou que a Pinacoteca é responsável pela área que a circunda e que o Parque da Luz está sob administração da prefeitura de São Paulo. Pelas normas da Pinacoteca, todo artista que deseje pintar no espaço externo ou interno do museu deve solicitar autorização com antecedência de 72 horas. Isso se justifica pelo fato de que é preciso preparar a disponibilidade do espaço de modo a compatibilizar a atividade dos artistas com o fluxo de pessoas que passam diariamente pelo museu. Isso é necessário para garantir a segurança dos artistas, das pessoas que estão no museu e das obras.

"Somos responsáveis pela área da Pinacoteca e do estacionamento. Não podemos criar regras sobre o parque ou sobre as calçadas", disse o diretor, acrescentando que reconhece a legitimidade da atividade dos artistas e que não partiu dele qualquer ordem para proibi-la.

Os representantes da Associação Paulista de Belas Artes criticaram a burocratização imposta para a atividade dos artistas e recomendaram a realização de uma discussão em relação à utilização dos espaços públicos ou privados para as finalidades artísticas. Também cobraram das instituições culturais que preparam melhor seus funcionários para oferecer esclarecimentos e informações precisas sobre as regras e os direitos dos cidadãos.

"Acho plausível que desta reunião surja uma discussão mais ampla sobre a desburocratização, que deve necessariamente envolver outras instituições públicas e privadas e diferentes instâncias de governo." Chiarelli afirmou que a Pinacoteca reconhece e respeita o trabalho dos artistas, mas também deve zelar pelo fluxo e segurança das pessoas. "Vamos trabalhar juntos e peço desculpas caso tenha ocorrido algum deslize por parte de algum funcionário", concluiu.

O deputado Carlos Giannazi se dispôs a encaminhar o assunto para outras instâncias do governo e fomentar o debate sobre políticas públicas que incentivem e valorizem o trabalho dos pintores. "A presença dos artistas nos espaços públicos deveria ser um orgulho para a cidade de São Paulo", concluiu.