Ópinião: PM do Estado: sempre violenta e agora covarde
De acordo com as estatísticas da Secretaria da Segurança Pública da administração do governador Geraldo Alckmin, no período de janeiro de 2015 a abril de 2016, a Polícia Militar do Estado de São Paulo matou 1.010 pessoas, ou seja, 63 por mês, o que equivale a duas pessoas por dia. Esses números, por si só, já evidenciam o quão violenta tem sido a corporação militar responsável pelo policiamento ostensivo e preservação da ordem pública no Estado.
Não é apenas essa matança que atesta a violência da PM no atual governo. Recai sobre policiais militares fortes suspeitas sobre a autoria da maioria das chacinas ocorridas na Grande São Paulo.
Mas não é só a violência que mata que está incorporada à conduta adotada na área de segurança pública do governo tucano. O atendimento cotidiano prestado ao público é feito de forma truculenta. A impressão que se tem é que veem em cada cidadão um inimigo, talvez em razão da formação que recebem ou por conta da política segregacionista dos tucanos, que alveja frequentemente jovens, negros e da periferia.
Essa violência da polícia do governo Alckmin, que já é por todos conhecida, agora se manifesta com outra faceta negativa, a covardia.
Os jornais mostraram recentemente fotos de policiais militares agredindo uma mulher na Avenida Paulista. A jovem médica E.F.S. participava de uma manifestação no dia 01/06/16, a favor do direito das mulheres e, durante uma confusão, questionou a PM pela prisão de um homem. Foi o suficiente para enfrentar a fúria dos policiais. Jogaram-na no chão e a subjugaram com violência. Aplicaram-lhe um golpe de estrangulamento conhecido como mata leão, arrastaram-na pela Avenida Paulista e a prenderam. A indignação pela violência empregada pelos policiais foi geral. Estaria aquela jovem mulher, desarmada, oferecendo algum risco à integridade física dos PMs? Qual a razão dos militares investirem contra a jovem com tanta fúria?
A violência usada pelos policiais para subjugar a jovem foi, sem dúvida, um ato de covardia abominável.
Lamentavelmente não foi a primeira vez que a PM do governo Alckmin agrediu mulheres em manifestações. No dia 13/06/2013, durante manifestação no centro da Capital, uma jornalista foi atingida no rosto por uma bala de borracha, quando estava a trabalho, e só não perdeu o olho atingido por estar usando óculos. À época ela afirmou: "Vi o policial mirar em mim e atirar".
Em outra manifestação, ocorrida em 29/05/2015, perto da USP, uma jovem estudante de Letras também foi agredida por policiais militares. Além de levar um jato de gás de pimenta no rosto, levou uma rasteira e um soco no rosto.
No momento em que a sociedade debate o fim da cultura do estupro e da violência contra a mulher, diante do episódio do estupro coletivo cometido contra uma jovem de 16 anos, a PM e seu comandante maior, o governador Geraldo Alckmin, parecem ignorar esse clamor nacional.
O comando da corporação não reprime nem condena como deveria esses atos de agressões covardes praticadas por seus integrantes. O governador Geraldo Alckmin é o maior culpado por essa violência, pois ao aceitá-la passivamente torna-se conivente com ela.
De acordo com pesquisa Datafolha de novembro/2015, 60% dos paulistanos têm medo da PM. A verdade é que os paulistas estão cansados de assistir à violência que norteia a conduta da segurança pública no Estado de São Paulo. Tanta violência gera na sociedade um sentimento de revolta crescente. Quando essa revolta aflorar, as consequências serão imprevisíveis.
*José Zico Prado, líder da Bancada do PT
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