Bandas e fanfarras reivindicam visibilidade

Frente Parlamentar promete resgatar conquistas para essa atividade cultural
17/06/2016 17:19 | Da Redação: Keiko Bailone Fotos: José Antonio Teixeira

Luiz Carlos Gondim<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2016/fg191542.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Frente parlamentar em apoio a essa atividade cultural no Estado de São Paulo<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2016/fg191544.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Bandas e fanfarras reivindicam visibilidade<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2016/fg191545.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Com a participação de maestros, alunos de música e representantes das principais entidades envolvidas com bandas e fanfarras no Estado, foi instalada nesta quinta-feira, 16/6, sob a coordenação do deputado Luiz Carlos Gondim (SDD), frente parlamentar em apoio a essa atividade cultural no Estado de São Paulo.

"Queremos que o governo nos enxergue, veja nosso trabalho junto às escolas da rede pública para a formação de alunos que no futuro passam a integrar bandas militares ou orquestras sinfônicas", disse Delgado Nunes, presidente da Associação de Bandas e Fanfarras da Baixada Santista (Afaban). Ele, que há 40 anos participa de bandas e fanfarras, conclamou os presentes a promover um ato na avenida Paulista para que possam ser ouvidos pelas autoridades e a população. Segundo Nunes, as cerca de 200 bandas existentes no Estado, formadas geralmente por 80 a 100 integrantes, se apresentam em desfiles militares ou festividades cívicas, tocando com trompetes, saxofones e triângulos, música popular ou erudita.

Formadora de valores humanos

Outros convidados enalteceram o resultado conseguido pelas bandas e fanfarras junto a alunos que a aderem a essa atividade. Diego da Costa Pereira, presidente da Associação Paulista de Bandas e Fanfarras (Ocifaban), enfatizou que a música, como ferramenta pedagógica, é formadora de valores humanos, "aguça a audição e a sensibilidade". Segundo ele, essa metodologia é largamente utilizada em outros países, "pois transforma a realidade de muitas famílias". Costa Pereira lembrou a necessidade de reforçar as iniciativas da frente parlamentar, pois falta infraestrutura - ônibus, por exemplo - quando as bandas viajam para participar de campeonatos.

Gilson Rubens Martins, presidente da Associação de Bandas e Fanfarras de Ribeirão Preto, lembrou sua infância pobre e o incentivo que recebeu do pai e de um maestro para integrar uma banda. "Não fosse por eles, não estaria aqui hoje, brigando pelo fortalecimento das bandas e fanfarras", relatou, justificando que, durante os ensaios, os músicos que estão à frente desse movimento, não raro assumem o papel de pais, administradores e psicólogos, auxiliando meninos e meninas carentes.

O major Elias Batista do Nascimento, comandante do Corpo Musical da Polícia Militar do Estado de São Paulo, endossou as palavras dos que precederam sua fala, afirmando que a música ajuda na formação do caráter de jovens e adolescentes. Registrou que as 13 bandas de música da PM são formadas atualmente por 181 homens e mulheres, muitos dos quais vindos de bandas e fanfarras de escolas públicas.

Alternativa às drogas

O maestro Roberto Farias descartou a ideia que se tem de que a apresentação de bandas e fanfarras tem pouca audiência e não traz retorno. Em sua opinião, as bandas tem um trabalho inestimável: despertam jovens para a música, afastando-os das drogas, por exemplo. "E casas de recolhimento custam mais do que núcleos de formação musical", argumentou.

O deputado Luiz Carlos Gondim pronunciou-se ao final da cerimônia. Na mesma sintonia do maestro Roberto Farias, justificou a criação da frente parlamentar, pois "custa um dólar investir em um músico e 20 dólares para recuperar um drogado". Citou a vigência da Lei 7.992/1992, de autoria do ex-deputado Vitor Sapienza, que institui campeonato estadual e até interestaduais de bandas e fanfarras e apelou à sensibilização do governo para esse movimento.