Opinião - Sem glúten nem lactose


21/06/2016 10:39 | Chico Sardelli*


No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas têm a doença celíaca, causada por intolerância ao glúten. Pesquisas mostram também que 70% dos brasileiros apresentam algum grau de intolerância à lactose. Os números são expressivos, assim como é grande a falta de informação para essas pessoas quando fazem alguma refeição fora de casa.

Para que os doentes celíacos e os intolerantes à lactose corram menos riscos, apresentei na Assembleia Legislativa projeto de lei que obriga os restaurantes, lanchonetes, food trucks, bares e qualquer tipo de estabelecimento comercial que sirva refeições a informar em seus cardápios ou menus se a refeição contém glúten e/ou lactose.

Pela proposta, os estabelecimentos também poderão criar cardápio auxiliar onde constem as informações sobre a presença de lactose e/ou glúten. Uma grande conquista para os doentes foi a implantação da lei federal que tornou obrigatória a identificação dos alimentos com glúten nas embalagens ou rótulos. Isso permite que as pessoas alérgicas ao glúten ou que tenham a doença celíaca identifiquem a presença do componente e não consumam o alimento.

Queremos ampliar a oferta de informações para as pessoas que têm esses problemas quando estão comendo fora de casa. Devido às restrições alimentares, muitos doentes consomem só o que produzem em casa ou os industrializados devidamente identificados e ficam restritos para ter uma vida social melhor.

Segundo dados da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), atualmente não há cura para a doença celíaca e o único tratamento é uma dieta isenta de glúten. Essa é a maneira de evitar o dano intestinal, menores riscos para outros tipos de doenças autoimunes e minimizar o risco de vários tipos de câncer associados à doença celíaca.

Muitos não sabem que têm intolerância ao glúten porque o diagnóstico é difícil. De cada oito celíacos, apenas um tem o diagnóstico. Pode ser confundida com doenças do intestino ou relacionadas à carência de nutrientes. Também há diferença entre a doença celíaca da sensibilidade ao glúten, com efeitos mais brandos, e que afeta 14 milhões de brasileiros. Alguns famosos já revelaram ter a doença, como a atriz Isis Valverde, Miley Cyrus e Chelsea Clinton.

Da mesma forma, são várias as recomendações para quem tem intolerância à lactose, e uma delas é ler não só os rótulos dos alimentos para saber qual é a composição do produto, mas também a bula dos remédios, porque vários deles incluem lactose em sua fórmula. Ao fazerem refeições em restaurantes ou lanchonetes, a dúvida é frequente quanto aos ingredientes utilizados.

Em virtude da diversidade da culinária brasileira, fica muito difícil para o consumidor deduzir os ingredientes de uma refeição. Desta forma, facilitando àqueles que já sofrem com dietas reduzidas, nada mais justo que estas informações estejam acessíveis também nos estabelecimentos que servem refeições.

*Chico Sardelli é deputado estadual pelo Partido Verde.