Entrevista com o deputado Roberto Engler


01/06/2017 17:58 | Beatriz Correia - Foto: Vera Massaro

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Roberto Engler<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2017/fg203145.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Roberto Engler<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2017/fg203144.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Em 1982, política era um assunto distante do professor Roberto Engler. Convencido por amigos, ele acabou candidatando-se a vereador da cidade de Franca. "À época não sabia fazer campanha e nem o que fazia um vereador", disse. Foi eleito, sendo o quinto mais votado. Professor há 58 anos, ele explica nesta edição do mandato em pauta como busca propor mudanças no Estado por meio da educação e também relata a sua trajetória política.

Na sua primeira disputa para a prefeitura da cidade de Franca, o deputado Roberto Engler (PSDB) perdeu a eleição, mas conta que saiu vitorioso. "Eu comecei com 2% de aprovação e o candidato preferido com 70%. No final o resultado ficou 36% a 34%. Perdi 10 quilos, gastei dois pares de sapato andando de casa em casa para fazer a campanha. Vi todas as misérias possíveis da minha cidade", disse. Engler declara ainda que foi na disputa pelo executivo que se enxergou político: "Foi maravilhoso, ali eu descobri o verdadeiro sentido da política. Como vereador eu não sabia".

A entrada no Legislativo Estadual deu-se a partir de uma demanda da comunidade. "As pessoas na rua começaram a me chamar de deputado. Disseram que com a quantidade de votos que eu tinha recebido para a prefeitura deveria me candidatar a deputado estadual", lembrou. Há mais de 27 anos Roberto Engler é deputado estadual.

Política

"Eu sou um instrumento a serviço das pessoas", declara o deputado, que cita ainda uma frase do Papa Francisco: "a política é uma arte notável porque é através dela que conseguimos fazer o bem para o próximo". Engler afirma que enquanto estiver funcionando e trazendo notícias boas para as comunidades que representa vai continuar atuando.

Sobre a conjuntura política do país, o deputado comenta: "Sou uma pessoa muito positiva. Acho que para sarar um furúnculo, é preciso que saia todo o pus. Tem que espremer para sair toda a porcaria. Hoje o que assistimos é a saída de todas as porcarias. Pode ter certeza que o país vai ser muito melhor do que é hoje. O que nós estamos vendo atualmente já acontecia, mas por trás das cortinas. As pessoas mudaram? Não, as cortinas que se abriram".

Para o deputado, as pessoas não passarão a ser honestas, mas terão medo de cometer crimes de corrupção. "Quem pratica a corrupção está indo para Curitiba e isso vai fazer com que as pessoas se inibam antes de se corromperem", disse. Engler defende ainda que o problema político atual tem raízes culturais e que a corrupção não está só na política, apesar de ser um "campo mais fértil".

Educação como base

Roberto Engler começou a lecionar aos 16 anos de idade para os colegas de classe. Ele tinha facilidade com as disciplinas e se destacava na área de exatas. É doutor em matemática pela Universidade de São Paulo. Tornou-se professor da USP e da Unesp e afirma que o seu mandato tem propostas pautadas na área educacional. "Sugeri projetos de lei que instituíssem campanhas educacionais para temas com influência direta na vida das pessoas. Como exemplos cito o Maio Amarelo, o Novembro Azul e o Dezembro Vermelho", informa.

O Maio Amarelo tem como objetivo chamar a atenção e conscientizar as pessoas para o alto índice de mortos e feridos no trânsito em todo o mundo. A ideia é uma ação pública que acontece entre o poder público e a sociedade civil. "Por ano, morrem 1 milhão de pessoas no mundo vítimas de acidente de trânsito, e no Brasil são 44 mil mortes. O trânsito no nosso país mata mais que o câncer e os homicídios. "Nós somos um dos primeiros países no ranking mundial de mortes por cem mil habitantes. Temos que mudar".

O deputado foi autor do projeto de lei que oficializa o Maio Amarelo no Estado de São Paulo. É dele a iniciativa que leva a campanha para as escolas públicas estaduais. "Fiz isso para que os jovens tenham um contato mais constante com os números assustadores de mortes. É preciso que cresçam mais conscientes do que gerações anteriores".

Segundo dados da Polícia Militar, o número de acidentes de trânsito com vítimas nas Marginais Pinheiros e Tietê aumentou 56% no primeiro trimestre de 2017. Os dados são em comparação com o mesmo período do ano passado. Os limites de velocidade das vias foram alterados em 25 de janeiro com a gestão do prefeito João Dória cumprindo uma de suas promessas de campanha. "Sempre que você avalia uma medida deve-se observar o resultado dela. Se aumentaram as mortes, a medida não foi boa. Se as consequências da decisão foram ruins, a medida é ruim", diz.

A campanha do Novembro Azul é a prevenção sobre o câncer de próstata. "Hoje a doença é absolutamente tratável se diagnosticada precocemente, mas a maioria dos homens tem medo do exame. Parece que ser examinado é pior do que o câncer em si", explica Engler. O deputado tem um projeto de lei que institucionaliza o Novembro Azul como responsabilidade do Estado.

O Dezembro Vermelho objetiva conscientizar as pessoas sobre o vírus da AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). O deputado fala sobre o preconceito existente com quem tem a doença: "A AIDS ainda carrega um enorme tabu. As pessoas têm que ser acolhidas e não discriminadas", diz.

Futuro Político

"Eu sou um martelo na prateleira. Se eu perceber que ninguém mais pega o martelo para usar, eu tenho que cair fora. Eu não prestaria para aquilo que é o meu objetivo. Mas se eu perceber que as cidades que compõem a minha região estão satisfeitas com o resultado, qual o direito que eu tenho de sair? Se eu sair, estou ignorando as pessoas, portanto, sendo egoísta". O deputado disse que por enquanto, diante dos resultados obtidos, não tem o direito de sair da política.