CPI da Fosfoetanolamina ouve especialistas
Os deputados membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Fosfoetanolamina ouviram na última quarta-feira (20/12) os depoimentos de especialistas da PDT Pharma e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). O tema central da 8ª reunião da CPI foi o cumprimento do protocolo nas diversas fases do estudo de viabilidade da substância. O deputado Rafael Silva (PDT) reforçou a importância da comissão: "temos de duvidar e buscar a verdade".
Os convidados apresentaram opiniões divergentes sobre a questão. A enfermeira do Icesp Elaine de Santana Longo, responsável por treinar a equipe de enfermagem para o procedimento, afirmou que o protocolo foi respeitado.
Guilherme Ayres Rossini, auditor dos testes da pesquisa que originou a "pílula anticâncer", explicou que, com o argumento de ineficácia da substância, o estudo foi interrompido e o protocolo não foi finalizado. Com isso, "muitos aspectos da pesquisa ficaram em aberto, de modo que não se pode concluir sobre a eficácia ou ineficácia do produto", declarou.
A a ex-farmacêutica da PDT Pharma Renata Filliettaz Simões, que era responsável pelo controle de qualidade da substância, disse que a empresa não teve acesso ao protocolo.
O presidente da CPI, deputado Roberto Massafera (PSDB), evidenciou um descumprimento do protocolo inicial da pesquisa. Ele relatou que, embora tenha sido planejada para analisar 210 pacientes, com 10 tumores diferentes e em diversos estágios, a pesquisa reduziu-se a 78 pessoas, com seis tumores diferentes em estágio terminal.
"Em todo o mundo, para o desenvolvimento de novos remédios, não se aplica uma substância em estudo em pessoas que ainda tenham perspectiva de cura, em detrimento de fármacos de eficácia já estabelecida", argumentou o auditor Rossini, que assegurou a validade do método com relação à escolha dos pacientes que participariam da pesquisa.
No entanto, ele reconheceu que a metodologia aplicada para avaliar a evolução dos casos, sendo apenas de imagem e verificando o crescimento do tumor, não incluiu o bem-estar dos pacientes. Para tanto, seria necessário incluir um questionário no protocolo.
Além dos citados, estiveram presentes na reunião os deputados Cássio Navarro (PMDB), Gileno Gomes (PSL), Márcia Lia (PT), Márcio Carmargo (PSC) e Ricardo Madalena (PR).
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