Participação das mulheres na ciência e na política - alguns dos debates propostos pelo 8 de março

Data também abre reflexão sobre saúde da mulher e prevenção de doenças
05/03/2021 17:26 | Conscientização | Maurícia Figueira

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Muitas são as comemorações relacionadas ao Dia Internacional da Mulher. No âmbito do Estado de São Paulo, a Lei 4.565/85 estabeleceu a Semana Estadual da Mulher. O objetivo do projeto que deu origem à Lei 4.565/85 foi criar uma semana de conscientização sobre assuntos referentes à mulher, como saúde, trabalho, habitação e "estimular a integração da mulher no processo de desenvolvimento".

Interessante notar que no ano em que o projeto de lei tramitou na Alesp havia 84 deputados estaduais. Desses, apenas duas mulheres.

O projeto também pretendia levantar discussões sobre o que os poderes públicos faziam em benefício da mulher para que suas necessidades pudessem ser "encaminhadas e solucionadas".

Na linha da lei de 1985, propomos uma breve reflexão sobre a situação das mulheres nos dias de hoje, nos aspectos da saúde, trabalho e representação política.

Nos últimos anos, vem crescendo a quantidade de pessoas que afirmam, no Dia da Mulher: "não queremos flores, queremos respeito". A imagem da mulher frágil, cuidadora de filhos e da casa, diminui na medida em que as responsabilidades e atribuições em outras frentes aumenta. Na ciência, na política, na gestão de empresas, mulheres ocupam e devem ocupar espaço na sociedade " não apenas devido a cotas, mas pela capacidade que têm.

Mulheres na ciência

Um bom exemplo é a participação das mulheres na ciência. Durante a pandemia, quando a comunidade científica do mundo todo se debruçou nas pesquisas sobre o novo coronavírus, várias mulheres cientistas brasileiras se destacaram.

Quando o primeiro caso de Covid-19 foi comprovado no Brasil, a equipe de cientistas liderada pela professora da Faculdade de Medicina da USP, Ester Sabino, sequenciou o genoma do novo vírus em apenas 48 horas. Outra linha de pesquisa feita pelos cientistas para entender o funcionamento do coronavírus foi a realização de autópsias minimamente invasivas. O resultado desses exames nos mostrou a atuação do vírus nos pulmões e coração, entre outros órgãos. E sim, o Projeto de Autópsia Minimamente Invasiva para Covid-19 foi coordenado por uma mulher, a cientista Marisa Dolhnikoff.

Outro avanço científico durante a pandemia foi relacionado aos testes. O teste convencional para detectar se a pessoa está infectada é o PCR, que é eficiente, porém bastante incômodo de ser realizado, pois coleta secreção da garganta e do nariz. O Instituto de Biociências da USP desenvolveu uma metodologia tão eficiente quanto o PCR, porém menos invasiva, que usa a saliva em vez de secreção da garganta. A responsável pelos estudos do teste é a cientista Maria Rita Passos-Bueno.

Mulheres na política

Já no campo da política, vimos que em 1984 havia apenas duas mulheres no Parlamento paulista. O cenário mudou ao longo dos anos, mas ainda não é proporcional. Nas últimas eleições foi eleito o maior número de mulheres da história do Legislativo paulista. Dezenove mulheres foram eleitas deputadas estaduais e mais uma tomou posse como suplente durante a licença maternidade da deputada Marina Helou, no fim de 2019. O número é significativo, mas está longe de representar ao menos 50% das cadeiras do legislativo.

Mais uma curiosidade: o recorde de votos na história dos legislativos no país foi alcançado por uma mulher, a deputada Janaina Paschoal (PSL), eleita com mais de dois milhões de votos.

Saúde da mulher

Outro aspecto destacado pela Semana Estadual da Mulher é a conscientização sobre prevenção de doenças que acometem as mulheres. Para isso, a Alesp aprovou, em 1987, a Lei 5.718/87, que instituiu a Semana da Saúde da Mulher, a ser realizada na semana do Dia Internacional da Mulher, visando o aperfeiçoamento de todas as atividades voltadas para a defesa da saúde da mulher.

A campanha Março Lilás conscientiza a população sobre a prevenção do câncer de colo do útero. Esse tipo de câncer pode ser detectado com o exame Papanicolau. É o terceiro tumor maligno mais frequente entre as mulheres e o quarto que mais mata no Brasil. Além do exame, importante para detectar precocemente a doença, outra forma de prevenção é a vacina contra o HPV, disponível nos postos de saúde para meninas entre nove e 14 anos e meninos entre 11 e 14 anos.