Estações meteorológicas paulistas são fundamentais na segurança e economia do estado
07/04/2026 17:14 | Meteorologia | Fernanda Franco - Fotos: IPmet/Unesp e Governo do Estado de SP
"Alerta Severo". Se você mora na Região Metropolitana de São Paulo, provavelmente já recebeu essa mensagem em seu celular. O chamado Cell Broadcast é um sistema de alerta sonoro e de tela bloqueada que foi lançado em dezembro de 2024 pela Defesa Civil do estado durante as fortes chuvas que atingiram a Capital e as cidades vizinhas. Antes desse sistema, o alerta era por SMS.
Mas, para que o alerta chegue a tempo ao celular de cada cidadão, uma rede complexa científica e de infraestrutura precisa estar em perfeito funcionamento.
Ciência
A meteorologia é uma ciência global por natureza, mas seus impactos se manifestam de forma direta no cotidiano regional. No estado de São Paulo, a área tem papel estratégico na prevenção de desastres, no planejamento energético, na produção agrícola e até na segurança da população.
Para que as previsões do tempo e do clima sejam confiáveis, o ponto de partida é a observação. O meteorologista e professor da Unesp, Demerval Soares Moreira, afirma que a precisão de um alerta começa muito antes da chuva cair. "Não há como prever o futuro sem conhecer o presente".
O "presente", neste caso, são os dados de temperatura, umidade e volume de chuva coletados por estações meteorológicas e radares, que permitem tanto previsões de curto prazo quanto análises climáticas de longo prazo.
Essas informações alimentam modelos numéricos que simulam o comportamento da atmosfera. No entanto, o pesquisador alerta que a qualidade dessas previsões depende diretamente da confiabilidade dos dados. "Falhas simples, como equipamentos mal calibrados, sem manutenção e até a má distribuição desses radares pelo território, podem comprometer toda a modelagem", afirma o meteorologista.
Desafios
De acordo com Demerval, um dos principais desafios do estudo meteorológico no estado de São Paulo é a distribuição desigual das estações meteorológicas, porque reduz a capacidade de monitoramento contínuo da atmosfera. "Enquanto o litoral apresenta maior concentração, o interior ainda carece de uma rede mais densa", explica. Essa lacuna dificulta tanto a precisão das previsões quanto o monitoramento de eventos extremos, como enchentes e secas. A situação pode ser ainda mais crítica quando se trata de desastres naturais.
Em regiões historicamente afetadas por inundações, como nas cidades do interior paulista, a ausência de equipamentos de medição pode limitar a capacidade de antecipação. Mesmo com o uso de radares meteorológicos, que permitem visualizar a formação e o deslocamento de chuvas, o pluviômetro ainda é considerado a ferramenta mais precisa para medir volumes de precipitação, aponta Demerval.
Importância
Apesar dessas limitações de infraestrutura, a meteorologia desempenha um papel decisivo na prevenção de tragédias. Sistemas de alerta permitem que órgãos como a Defesa Civil atuem com antecedência, interditando áreas de risco e evitando mortes. Em cidades como Bauru, por exemplo, o monitoramento constante já contribuiu para reduzir acidentes em regiões suscetíveis a alagamentos.
Além da segurança, a meteorologia também impacta diretamente a economia. No setor energético, previsões climáticas orientam a gestão de reservatórios hidrelétricos, influenciando o custo da energia. Na agricultura, informações sobre chuva e umidade ajudam produtores a evitar prejuízos, como a perda de insumos após precipitações inesperadas.
Outro ponto relevante é o papel da meteorologia no contexto das mudanças climáticas. "Séries históricas de dados indicam alterações no padrão de chuvas, que tendem a se tornar mais concentradas e intensas, intercaladas por períodos prolongados de seca. Esse comportamento aumenta o risco de eventos extremos e exige ainda mais precisão nas previsões", explica Demerval.
Diante desse cenário, o professor defende a ampliação da rede de monitoramento e do acesso público aos dados meteorológicos, como os disponibilizados pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet). A integração de informações, segundo ele, é fundamental para aprimorar modelos, fortalecer políticas públicas e garantir maior segurança à população.
Cotidiano
A previsão do tempo exerce influência direta na rotina, como no caso da estudante Carolina Capucho, que mora em Bauru. "A previsão do tempo influencia na minha rotina tanto de maneira casual, como na escolha da roupa, quanto em relação à saúde", afirma.
Segundo Carolina, informações como a necessidade de levar um casaco ou se preparar para mudanças bruscas de temperatura fazem parte do dia a dia, já que essas variações podem provocar resfriados e crises alérgicas. "Eu prefiro me atentar a isso para saber se vou precisar levar um antialérgico", explica.
Entre os dados consultados na previsão, a estudante comenta que a "chance de chuva" é prioridade para saber se levará guarda-chuva ou não. Já a temperatura aparece como fator secundário, planos de lazer, como passeios ao ar livre, podem ser alterados conforme a previsão.
Apesar de utilizar o aplicativo do celular para acompanhar as condições do tempo, Carolina conta que prefere adotar uma postura também cautelosa. "Eu prefiro confiar no que eu consigo ver pelo céu, como nuvens escuras e vento forte", diz. Em busca de informações mais detalhadas, ela passou a recorrer diretamente ao IPMET da Unesp. "Eu comecei a ligar lá e tenho achado o serviço muito interessante, porque eles respondem com prontidão", relata, destacando o atendimento 24 horas oferecido pelo instituto.
Mais do que prever se vai chover, a meteorologia se consolida como uma ferramenta essencial para o planejamento do estado. "Os estudos meteorológicos estão presentes em decisões que vão da gestão de crises à organização da vida cotidiana", afirma o professor. Para Dermeval, a ciência do tempo mostra que, em São Paulo, compreender a atmosfera é também uma forma de proteger vidas e otimizar recursos.
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