Acervo Artístico

Os mitos interiores de Carmela Pepe refletem em sua obra a problemática do novo humanismo
23/07/2004 14:53

 <a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/hist/C PEPE OBRA.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>  <a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/hist/CARMELA PEPE.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Emanuel von Lauenstein Massarani

A visão pictórica de Carmela Pepe pode ser definida como audaz e, por conseqüência, provoca interesse. Ela utiliza uma herança de estilo e de conteúdo impressionista que a aproxima de um período de felicidade expressiva. Longe dos cânones, ao mesmo tempo em que pesquisa a cor, faz bom uso do traço. Além de uma fantasia viva, a artista possui essas qualidades. Dotada de rapidez na execução, nos faz pensar que as obras que cria, tenham sido antes concebidas pictoricamente.

Nas suas ambientações encontramos narrações, circunstâncias que enriquecem de conteúdo uma pintura na qual a dominante é o sentimento. Não se trata, entretanto, de obras sustentadas por uma fácil dialética, pois que nelas está implícita a problemática do novo humanismo, que não pode ser uma afirmação gratuita e retórica, mas que exige um empenho preciso.

Suas imagens se transformam em mitos se observarmos a transformação que opera em cada uma dessas. Seus quadros possuem estrutura visível, que se inicia no rarefeito e se conclui no alusivo. Os mitos interiores afloram com força e com detalhada evidência, mas evoluem em sua enigmática ambigüidade de acordo com a natureza nascente do próprio mito e certamente como conseqüência da imaginação sutil e mutante de Carmela Pepe.

O que é possível reter dessas imagens? O vigor cego e contínuo do ser vivo contra a precariedade de cada existência, a força simultânea à fragilidade, a graça sibilina das formas femininas no proliferar confuso da natureza. Além das imagens fugitivas, permanece uma interrogação primária ligada ao dilema da vida e da morte que está no fundo de cada um de nós.

No caso de Carmela Pepe, o chamamento é explícito e a conexão, direta. Ela não ilustra, mas vive a imagem de uma poesia e cria os termos essenciais de seu repertório com uma particular áurea lírica. Trata-se de um caso de singular dedicação a um mundo sonhado, que é assumido com íntima humildade, mas também com jovial e calorosa participação.

Esse insólito, profundo e sincero diálogo entre o poeta e o pintor é também uma íntima homenagem que a pintura rende à esfera tanto mais pura da poesia. Através da obra "Personagens de uma estória", doada ao Acervo Artístico da Assembléia Legislativa, Carmela Pepe rende um tributo diferente e comovido através da arte das formas e dos sentidos, ao mundo tanto mais secreto da palavra.



A artista



Carmela Pepe, pseudônimo artístico de Carmen dos Santos Pepe, nasceu em 1951, em São José dos Campos, SP. Em 1973 mudou-se para São Paulo, onde mora e exerce suas atividades artísticas em seu próprio atelier. Inicialmente autodidata, participou de cursos nos ateliers dos professores e artistas plásticos Marília Faerbanks e Rodrigues Coelho.

Sua primeira exposição individual data de 1993 no Caminho Espaço Cultural, na cidade de São Paulo, que a convidou para outra mostra no ano seguinte.

Participou da mostra "Futuros Artistas Famosos" no Galpão das Artes (1996), e ainda na Galeria Faerbanks (1994 e 1995), no Espaço Cultural BMW (1997) e Citroën Espaço Cultural (1998), tendo sido premiada nessas duas últimas. Em 1999 foi convidada para uma exposição individual no Spazio Culturale, na cidade de Milão, ocasião em que aproveitou para visitar diversos museus na Itália e na França.

No corrente ano de 2004 participou de uma exposição coletiva itinerante coordenada pela artista Maria dos Anjos, nas cidades de Abrantes, Portalegre, Chaves e Santarém, em Portugal.

Foi catalogada no Anuário de Artes Plásticas de Júlio Lousada de 1998 e no Anuário Luso-Brasileiro de Arte (2004), publicado em Portugal. Suas obras encontram-se em coleções particulares e oficiais, na Itália em Portugal e no Brasil, notadamente na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.