Comemorações constróem memória do Movimento de 1932

(com fotos)
04/07/2002 20:19


Dainis Karepovs

Em 1933, a partir de uma iniciativa da Sociedade Cívica de Veteranos de 32 - MMDC, lançou-se a idéia de se levantar um monumento-mausoléu em homenagem aos tombados durante a Revolução Constitucionalista. No ano seguinte realizou-se um concurso público para o monumento-mausoléu, que foi vencido pelo artista Galileo Emendabili. No entanto, somente em 1947 definiu-se que ele seria erigido no Ibirapuera, sendo sua construção iniciada alguns anos depois.

Embora se houvesse previsto sua conclusão durante as comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo, em 1954, não foi possível inaugurá-lo na data prevista. Mesmo assim, antecedeu-se ao traslado dos restos mortais daqueles jovens que se tornaram símbolos do movimento de 1932: Euclydes Bueno Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo de Camargo Andrade. Isto ocorreu no dia 9 de Julho de 1954. Depois disso, a todo 9 de Julho, para lá foram sendo trasladados os restos dos mortos que combateram e também daqueles que tiveram destacada atuação durante a Revolução Constitucionalista. Tais cerimônias eram concebidas de modo a abarcar várias cidades do Estado de São Paulo e de outros Estados e, quando de seu desenrolar na Cidade de São Paulo - destino final dos combatentes -, buscavam envolver toda a população paulistana. O monumento-mausoléu somente seria totalmente concluído em 1970.

Dentre as 91 mil fotos custodiadas pela Divisão de Acervo Histórico da Assembléia Legislativa, feitas pelos fotógrafos da Casa para registrar as atividades ocorridas no Legislativo Paulista no período entre 1950 e 1992 e que estão disponíveis para consulta dos interessados, ficaram preservados alguns momentos desse processo de transferência dos restos mortais dos combatentes de 1932 para o monumento-mausoléu. Aqui, como contribuição à preservação dessa memória, publicamos imagens dos eventos ocorridos em 1956 e 1957.

1956

No ano de 1956 foram trasladados para o monumento-mausoléu os restos mortais de cinco combatentes (general Isidoro Dias Lopes, voluntários Fernão Morais Salles e César Pena Ramos, soldado José Benedito Salinas e sargento Álvaro dos Santos Mattos), que vieram da Capital e do Interior do Estado de São Paulo e do Estado do Rio de Janeiro. Alguns dias antes da comemoração do 9 de Julho, todos eles foram reunidos na Praça da Republica - onde, a 23 de maio de 1932, tombaram os jovens Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo -, local de uma cerimônia pública. Dali saiu um cortejo que percorreu vários locais, deixando em cada um deles uma urna, a fim de que os combatentes fossem homenageados (no Quartel General do II Exército, então localizado na rua Conselheiro Crispiniano; na Câmara Municipal de São Paulo, então sediada na rua Líbero Badaró; na Faculdade de Direito; no Batalhão Tobias Aguiar e na Assembléia Legislativa, que então funcionava no Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro II).

Na Assembléia Legislativa ficaram os restos de Álvaro dos Santos Mattos. Filho de Manoel de Mattos e de Maria Conceição dos Santos, era sargento da Força Pública e faleceu no dia 16 de setembro de 1932, em batalha travada às margens do Rio das Almas, aos 23 anos de idade. Nascido na Capital, antes de seus restos serem trasladados ao mausoléu-monumento, estava sepultado em Itapetininga.

No dia 9 de Julho, após missa solene na Catedral da Sé, os restos dos cinco combatentes foram conduzidos até o monumento-mausoléu.

1957

Neste ano a comemoração tomou um caráter especial, pois se completavam vinte e cinco anos da Revolução Constitucionalista. Desta vez, no dia 7 de julho, onze urnas, novamente vindas da Capital e do Interior do Estado de São Paulo e do Estado do Rio de Janeiro, foram reunidas na Praça da República. Aí receberam homenagens o embaixador Pedro de Toledo (governador de São Paulo ao tempo da Revolução Constitucionalista), o major aviador Aderbal de Oliveira, o guarda-civil Natal Martinetto, Carlos de Souza Nazareth (presidente da Associação Comercial em 1932), o general Júlio Marcondes Salgado (comandante da Força Pública em 1932), general Palmério de Rezende, o capitão Antônio Ribeiro Júnior, o capitão de fragata Nélson de Mello e os voluntários Hermes de Moura Borges, Delmiro Filgueiras Sampaio e João Pereira dos Santos. Da Praça da República as urnas seguiram para o Largo São Francisco, ficando expostas publicamente à visitação na Faculdade de Direito. No dia 9 de Julho de 1957, ao primeiro minuto do dia, no Parque do Ibirapuera, foram disparados tiros de canhão e houve toque de clarim. Horas depois, na Assembléia Legislativa houve hasteamento solene da bandeira e, em seguida, os deputados rumaram para a Praça da Sé. Às oito horas iniciou-se missa solene no altar-mor da Catedral da Sé. Logo em seguida, em viaturas do Corpo de Bombeiros, os restos mortais seguiram em cortejo pelas ruas paulistanas até o monumento-mausoléu. Aí, além das cerimônias de encerramento das urnas no jazigo, houve um desfile em frente ao monumento- mausoléu, no qual, além de autoridades civis e militares e personalidades, tomaram parte a Guarda Civil, a Força Pública, a Polícia Feminina, diversas bandas e os Dragões da Independência.

Mais tarde, em comemoração ao Jubileu de Prata da Revolução de 1932, realizou-se uma sessão solene na Assembléia Legislativa, na qual também foram rememorados os dez anos da promulgação da Constituição Paulista de 1947. A esta sessão, mostrando claramente a importância dos eventos ali comemorados, esteve presente, em visita oficial, o presidente da República Juscelino Kubistchek de Oliveira.