Depoente da CPI dos Combustíveis acompanha delegado em diligência

Comissão ouviu pessoas ligadas às distribuidoras Quest e Pollus, suspeitas de adulterar combustíveis (com foto)
27/09/2001 19:36


DA REDAÇÃO

A CPI dos Combustíveis, presidida por Edmir Chedid (PFL), convocou para a reunião desta quinta-feira, 27/9, três depoentes que estariam ligados às empresas distribuidoras Quest e Pollus, suspeitas de comercializar solventes e adulterar combustível. Compareceram Aldo Antonio Masi e Edna Aparecida Corneta Cerqueira.

Edna foi ouvida em reunião reservada com membros da CPI e equipe da Receita Estadual, que apresentou documentos sobre as empresas. O depoente Aldo Masi foi chamado a acompanhar o delegado-chefe da Assistência Policial Civil da Assembléia Legislativa, Zaqueu Sofia, numa diligência para localizar o terceiro envolvido, Ricardo Daim, que não atendeu à convocação da Comissão.

/N+/Sócios conheceram-se na Hudson/N-/

Segundo o deputado José Zico Prado (PT), Edna Cerqueira revelou que quando conheceu Aldo Masi e Ricardo Daim, em 1992, todos trabalhavam na Hudson. Em 1996, Masi e Daim formaram sociedade para criar a Pollus Distribuidora, interditada em 1999, após terem sido constatadas disparidades entre o volume de compra de gasolina e as respectivas vendas, indicativo de que estaria ocorrendo adulteração. Com o fechamento, a empresa teria deixado de entregar cerca de 4 milhões de litros de gasolina a outras pequenas distribuidoras e a postos de gasolina.

Edna Cerqueira foi secretária de Daim, trabalhando para ele na Pollus e depois na Quest Distribuidora, fundada em 1999. De acordo com Zico Prado, a depoente explicou que passou a ser sócia da empresa, com participação de 1%, após negociação relativa à regularização de sua situação trabalhista. Ela nunca foi registrada.

/N+/Distribuidora comprava solvente e vendia gasolina/N-/

A Quest, apesar de ser registrada como distribuidora de combustíveis, operava basicamente com solventes. Edna Cerqueira afirmou não ter conhecimento de venda de gasolina, mas a Receita Estadual encaminhou à CPI uma relação de postos que apresentam notas fiscais relativas a compras de gasolina fornecida pela empresa. Outra informação da Receita que causou estranheza a Edna Cerqueira foi o faturamento da Quest, estimado em R$ 10 milhões.

Até o horário de fechamento desta redação, não se conhecia o resultado das diligência do delegado Zaqueu Sofia.

A CPI dos Combustíveis teve prorrogados seus trabalhos por mais 90 dias e deve apresentar pré-relatório, com o balanço das investigações realizadas até este momento, na próxima segunda-feira, 1.° de outubro.