95 anos de Japão no Brasil
Historicamente 18 de junho transformou-se numa comemoração da comunidade nipo-brasileira, quando festejamos o dia da imigração japonesa no Brasil. Na realidade é um dia de festa para todo o povo brasileiro.
Em 18 de junho de 1.908, depois de 52 dias de viagem, aportava no porto de Santos o navio Kassatu Maru trazendo 165 famílias nascidas do outro lado do mundo.
Eram 781 súditos do Imperador do Sol Nascente que acreditavam que o Brasil era a terra prometida. Mas a realidade era bem mais dura do que se dizia. Estes imigrantes foram, em sua maioria, trabalhar nos cafezais paulistas, onde nem sempre existiam condições adequadas de higiene e saúde. Isso sem falar nas diferenças de hábitos alimentares e da língua.
Hoje, quando é vista a plena integração dos nikkeis a sociedade brasileira por vezes se esquece as enormes dificuldades e até dos preconceitos que os imigrantes enfrentaram no Brasil.
Isso é passado, graças à Deus. Não mais se pode excluir os nikkeis no contexto do povo brasileiro contemporâneo. Afirmativamente os japoneses e seus descendentes foram, são e serão peças primordiais na formação do povo brasileiro.
O Brasil possui a maior colônia japonesa fora do Japão em todo o mundo, especialmente a cidade e o Estado de São Paulo. Mais de 1% de toda a população brasileira é composta por japoneses e seus descendentes.
Somente a capital possui mais de 600 restaurantes de comida típica japonesa. Existem hoje mais de 250 mil brasileiros que fizeram o caminho inverso dos pioneiros e trabalham no Japão, que remetem mais de 2 bilhões e meio de dólares por ano para o Brasil.
Mas são apenas números. O que mais marca a imigração é sua imensurável contribuição para o progresso brasileiro, sinalizando e consolidando a existência de possibilidades e perspectivas em um país ainda novo e em processo de crescimento.
Temos motivos de sobra para as comemorações, enfim trata-se de uma união de pleno sucesso e integração poucas vezes vista na história da humanidade.
É uma história repleta de esforço, coragem, organização, criatividade e dedicação.
A disciplina, o respeito à hierarquia e idoneidade acima de tudo que os japoneses nos ensinaram através da sempre singela convivência foram fundamentais na formação de gerações e gerações de brasileiros.
Nesse dia de festa fazemos um comentário pouco percebido mas que deve ser sempre lembrado para que isso possa ser mudado.
Em 52 anos de história política paulista é a primeira vez que nenhum nikkei é eleito deputado. Por sorte o nobre deputado Paulo Kobayashi assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados, ainda que na condição de suplente.
Na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo os nikkeis fizeram história, como o próprio Deputado Kobayashi, que presidiu o segundo biênio da 13ª legislatura, o deputado Hatiro Shimomoto, entre outros, e mais recentemente os deputados Junji Abe, Pedro Mori e Celso Tanaui.
Desde que assumi uma cadeira nesta Assembléia Legislativa, em 1.999, por conta de meu antigo relacionamento com a colônia, coloquei meu mandato a integral disposição da comunidade e suas entidades.
E assim continuará sendo. Humildemente estaremos a disposição das necessidades e dos anseios de toda a comunidade nipo brasileira.
A Assembléia Legislativa não terá uma solenidade especifica, mas dentre os festejos oficiais que ocorrerão, esta o Festival do Japão, que faz parte do calendário oficial de eventos do Estado, por conta da lei de autoria do nobre Deputado Pedro Mori, e que se realizará nas instalações dessa Casa no mês de julho, e do qual tenho a grata satisfação de ser o signatário da solicitação e a grande honra de ser o presidente honorário do evento.
O sorriso fácil que nos cativou desde sempre e tudo aquilo que os japoneses representam no contexto global brasileiro nos faz festejar e comemorar intensamente o dia de hoje, e principalmente agradecer.
Domo arigato gozai mashita(muito obrigado)
*Marquinho Tortorello, 39, Advogado e Professor de Educação Física, é Deputado Estadual (PPS), 3º Secretario da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
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