CPI apura falha na segurança em Iperó

Presidiário teria entrado com arma escondida na roupa (com foto)
27/09/2001 20:10


DA REDAÇÃO

O diretor da Penitenciária Odon Magalhães Ramos, em Iperó, Wanderley Polastri, compareceu à reunião da CPI que apura irregularidades no Sistema Prisional, presidida pela deputada Rosmary Corrêa (PMDB), para prestar esclarecimentos sobre episódio que redundou na entrada de um revólver na penitenciária.

Segundo depoimento do diretor, a arma calibre vinte e dois, de propriedade de seu cunhado, foi furtada de uma cômoda durante sua mudança do presídio de São Vicente para Iperó. Um dos presos que auxiliava no descarregamento dos móveis, ao perceber a arma em uma das gavetas da cômoda, colocou-a em sua cueca e, segundo o diretor, conseguiu com este estratagema, passar incólume pela revista dos agentes de segurança.

Questionado sobre o possível descuido dos funcionários, Wanderley informou que o procedimento de revista foi alterado, obrigando o preso que trabalha fora do presídio a passar por revista em que retira toda a roupa, inclusive cueca, impossibilitando a entrada de armas e drogas por meio de sua vestimenta.

A entrada de outra arma, mais recentemente, através de um bolo de aniversário, é outro fato que os deputados da CPI querem apurar e para tanto pediram mais dados ao diretor, inclusive cópias das sindicâncias instauradas. O que o depoente se comprometeu a enviar para a comissão.

Em outro depoimento na manhã desta quinta-feira, 27/9, o diretor da Escola de Administração Penitenciária, Francisco Assis Santana, informou aos deputados sobre os cursos de formação e aperfeiçoamento dos agentes penitenciários e outros funcionários dos presídios. A inclusão de matérias como ética e direitos humanos, na grade curricular, foi relatada como um avanço na formação destes funcionários públicos. Santana, no material que entregou à CPI, afirmou que, apesar das dificuldades de infra-estrutura, a Escola tem realizado um trabalho merecedor de elogios, por parte inclusive da imprensa. O diretor apresentou aos deputados os conteúdos das disciplinas que fazem parte do curso, recentemente implantado, para funcionários que querem passar a diretor de presídio. Segundo Santana, "a formação dos funcionários busca humanizar o sistema e, através do respeito à dignidade humana, obter a ressocialização do preso".