Exposição sobre Eugênio Egas pode ser vista na Assembléia
Aexposição "Eugênio Egas, Parlamentar e Historiador do Legislativo Paulista" permanece até 1.º/9 no Hall Monumental da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. A partir da próxima segunda-feira, 4/9, até março de 2001, a mostra poderá ser vista no mezanino do Hall. Organizada pela Divisão de Acervo Histórico do Departamento de Documentação e Informação, a exposição apresenta fotos e documentação do historiador, referentes a sua vida pessoal e parlamentar, além de parte de suas obras literárias. Egas é autor da única história publicada do Legislativo paulista, escrita a partir de introduções que produzia aos anais da Assembléia (1835-1861), reeditados por ele.
Eugênio Egas nasceu em Iguape (SP), em 15 de maio de 1863, onde fez o curso primário. Fez os estudos preparatórios no antigo colégio Ipiranga, de 1876 a 1880 e matriculou-se na Faculdade de Direito em 1880. Entre seus colegas e contemporâneos nas Arcadas estiveram Alberto Salles, Antônio Álvares Lobo, Assis Brasil, Borges de Medeiros, Campos Salles, Cincinato Braga, Eduardo Prado, Estevão Leão Borroul, Frederico Vergueiro Steidel, José Manoel de Azevedo Marques, Júlio de Castilhos, Júlio Mesquita, Martim Francisco Ribeiro de Andrade Sobrinho, Rangel Pestana, Raul Pompéia, Rodrigo Octávio, Silva Jardim, Vicente de Carvalho, entre outros. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 15 de novembro de 1884.
Depois de formado foi residir em São Carlos do Pinhal. Desde seus tempos de estudante na Faculdade do Largo São Francisco, colaborava com a imprensa e, em São Carlos do Pinhal, foi um dos fundadores do jornal O Oitavo Distrito, órgão de propaganda republicana.
Em 1895 foi eleito, com 30.768 votos, deputado à Câmara dos Deputados do Congresso Legislativo e exerceu seu mandato por três legislaturas, até 1903. Durante sua permanência na Câmara dos Deputados paulista teve uma atuação de destaque e dedicou-se a questões como o papel do município na ordem republicana, ao ordenamento jurídico na nova ordem política, imigração, café, cultura, entre outras.
Como jornalista, de 1896 a 1898, foi redator-secretário de O Estado de S. Paulo, jornal em que depois continuou a escrever por muitos anos. Colaborou também com o Correio Paulistano e A Gazeta.
Publicou livros, folhetos, conferências, em grande número, entre os quais destacam-se "Diogo Feijó", obra com dois volumes que lhe deu entrada no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; "Galeria dos Presidentes de São Paulo", em três volumes; "Os Municípios Paulistas"; "Dicionário Geográfico do Estado de S. Paulo" (ensaio); Necrológios" (Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo (1916-1921); "Estudos (Badaró, Japiassu, Regências)"; tradução de "A História do Brasil", de Armitage; "Quadro Histórico da Província de São Paulo" (reedição da obra do Marechal Daniel Pedro Muller); "Anais da Assembléia Legislativa da Província de São Paulo" (reconstituição 1835-1861). Duas das obras acima merecem destaque especial. A primeira é a "Galeria dos Presidentes de São Paulo", obra de referência até hoje para os historiadores que se ocupam com a história política dos governantes de São Paulo no período de 1822 a 1924. A segunda é a reconstituição dos Anais da Assembléia Legislativa Provincial de São Paulo no período de 1835 a 1860, pois, além de publicar as atas e as leis mais importantes elaboradas no período, Eugênio Egas, juntamente com Oscar Motta Mello, traçou um panorama histórico-político, ano a ano, da atuação da Assembléia Legislativa, concebendo o que pode ser considerada, até hoje, a única história publicada do Poder Legislativo do Estado de São Paulo. Em decorrência da chamada Revolução de 1930, o último volume, referente a 1861, não foi publicado.
Eugênio Egas faleceu em São Paulo, em 29 de junho de 1956.
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