Discurso parlamentarista marca posse de Feldman no governo do Estado

O governador Geraldo Alckmin se ausentará do cargo durante três dias, período em que empreenderá viagem ao exterior
12/11/2001 22:11

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DA REDAÇÃO (com fotos)

Tomou posse na tarde desta segunda-feira, 12/11, no cargo de governador interino do Estado de São Paulo, o presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado Walter Feldman. A posse lhe foi dada pelo 1º vice-presidente da Assembléia, deputado Celino Cardoso, em sessão ordinária, às 16 horas, no plenário Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Nomeando um a um os deputados presentes e destacando a brevidade de sua passagem pelo Palácio dos Bandeirantes (o governador Geraldo Alckmin pediu licença de três dias para empreender viagem ao exterior), Feldman afirmou que estará representando a Assembléia do Estado de São Paulo. "Acredito no parlamentarismo, na representação política. Nesses três infinitos dias todos os deputados estarão lá representados", disse. "Sei que o parlamentarismo virá. Talvez daqui 10, 15 ou vinte anos. E não será através de golpe", previu.

Feldman disse que quem o conhece sabe que durante seus anos de vida pública, não adquiriu a empáfia do poder e que "nem poderia". "Chegamos a este ponto da nossa vida política mas sabemos que ela é absolutamente passageira", ressaltou. "Em tudo o que fazemos e conquistamos, sabemos que ainda há muito o que percorrer". Antes de prosseguir, o governador recém empossado agradeceu a sua mãe, também presente.

De acordo com o governador empossado, a humildade é amar a verdade acima de si próprio. "Amo a verdade, a liberdade e a democracia. Viva a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo", concluiu.

Feldman, que é médico e tem 47 anos, foi eleito deputado estadual em 1994 e reeleito em 1998, pelo PSDB. Antes de fazer parte do legislativo estadual, o atual governador foi eleito vereador pelo PMDB em 1992 e reeleito pelo PSDB em 1988. Durante a primeira gestão do governador Mário Covas, Feldman foi líder do governo na Assembléia, assumindo a Casa Civil do governador de 1997 a 1998. Foi eleito presidente da Assembléia em março deste ano.

Terceiro na linha de sucessão do governo do Estado no início de sua gestão à frente do Legislativo paulista, Feldman chega ao governo do Estado em decorrência da morte do governador eleito em 1998, Mário Covas, em 6 de março deste ano.

/N+/Rito da posse/N-/

A solenidade de posse teve início com a leitura - por parte do vice-presidente da Casa, Celino Cardoso, que assumiu a presidência interina com a assunção de Feldman ao governo do Estado - da mensagem 175, de 10/11/2001, do governador Geraldo Alckmin. Na mensagem, Alckmin comunica à Assembléia que se ausentará no período de 13 a 15 de novembro, durante o qual empreenderá viagem ao exterior por assunto de interesse público. Na mesma mensagem, Alckmin solicita que o presidente da Assembléia assuma o Executivo, nos termos da Constituição Estadual.

Feita a leitura da mensagem do governador, o presidente da Assembléia em exercício, nos termos dos artigos 40 e 20, inciso IV da Constituição Estadual, e em nome do Poder Legislativo, leu o termo de posse de Feldman no cargo de governador do Estado. Em seguida, nos termos do artigo 43, Celino Cardoso nomeou uma comissão de líderes das bancadas para acompanhar o presidente eleito da Assembléia ao plenário.

Acompanhado dos deputados Campos Machado (PTB), Conte Lopes (PPB), Carlinhos Almeida (PT), Dimas Ramalho (PPS), Alberto Calvo (PSB) e Rodrigo Garcia (PFL), além dos membros da Mesa Diretora da Assembléia deputados Hamilton Pereira (PT), 1º secretário; Dorival Braga, 2º secretário; Edmir Chedid (PFL), 2º vice-presidente; Roberto Morais (PPS), 3º secretário; e Gilberto Nascimento (PSB), 4º secretário, Feldman foi conduzido à Mesa para prestar o compromisso constitucional. "Prometo cumprir a Constituição do Estado e observar as leis", disse, para a seguir ser declarado empossado pelo presidente em exercício Celino Cardoso.

Após a leitura do compromisso de posse, feita pelo 1º secretário, o termo de posse foi assinado pelo presidente e pelos líderes dos partidos.

/N+/Manifestações dos líderes/N-/

Falando em nome de seu partido o líder do PTB, deputado Campos Machado, falou sobre a emoção do governador e de todos os deputados presentes, não só por Feldman, "mas por esta Casa". "Coragem e dedicação o trouxe à posse", disse Machado, lembrando a trajetória do governador. "Esta Casa se sente contemplada."

Carlinhos Almeida, líder do PT, associou-se às palavras de Campos e ao sonho parlamentarista de Feldman. Apesar da brevidade da passagem do presidente da Assembléia pelo Executivo, Almeida destacou que ela contém um grande simbolismo. "Continuaremos criticando o governo, mas não o governador", disse ele, isto graças ao respeito que afirmou ter por Feldman. "Mesmo com nossas discussões e debates, em temas como o da abertura do capital da Nossa Caixa, em momento algum o presidente se desviou do interesse público."

O parlamentarismo e a emoção do momento nortearam o discurso do deputado Dimas Ramalho, líder do PPS. "O governador Walter Feldman, enquanto presidente desta Casa, tem trabalhado para resgatar o papel e a força do Legislativo. Com certeza sua posse nos representa a todos e o que tem de melhor esta Casa."

Para o deputado Alberto Calvo (PSB), que representou seu partido na posse do governador em exercício, Feldman "é o homem talhado para abrir os caminhos do parlamentarismo na nossa nação" e tem o apoio da Casa, que representa toda a população do Estado. "Justiça foi feita."

De acordo com o líder do PFL, deputado Rodrigo Garcia, Feldman "não só cumpre uma questão constitucional, mas a vontade dos parlamentares desta Casa". A admiração de seus pares, independentemente da sigla que representam, também foi lembrada por Garcia. "Aos grandes homens são dadas as grandes missões."

"É uma satisfação tê-lo como governador", disse o líder do PPB, deputado Conte Lopes, que ressaltou o espírito político, a capacidade e a inteligência de Feldman.

"Nada mais justo e mais merecido", para a deputada Rosmary Corrêa, líder do PMDB. Ela desejou que Feldman possa "impregnar o Palácio dos Bandeirantes de bons fluídos parlamentares".

Em nome do partido do governador em exercício, o PSDB, o deputado Edmur Mesquita destacou o momento histórico pelo qual passa o Legislativo paulista com a posse de Feldman e seu caráter. "Tenho a convicção que Mário Covas, um expoente da política que norteava nossos caminhos se faz presente neste momento histórico."

A firmeza e cultura de Walter Feldman foram mencionadas pelo líder do PSD, deputado Nabi Abi Chedid, que acentuou que seria breve para que o governador em exercício pudesse seguir mais rapidamente para o Palácio dos Bandeirantes.

Dizendo-se muito emocionada, a deputada Edir Sales falou em nome de seu partido, o PL. A deputada enfatizou a humildade de Walter Feldman: "esta é uma característica de grandes homens". "Efêmero é o cargo, mas não a missão", lembrou o deputado do PTB, Willians Rafael.

/N+/Presidente em exercício/N-/

Celino Cardoso, presidente em exercício da Assembléia Legislativa, disse que esta segunda-feira foi um dia muito especial. "Tenho a honra de substituir o presidente desta Casa, mas não tenho a pretensão de fazer um trabalho como o seu", disse Cardoso. "Mas conto com a ajuda de todos e não medirei esforços nesta Presidência."

Ao término das manifestações, Feldman abraçou sua mãe, dona Fany.



/N+/9.º a assumir/N-/

O deputado Walter Feldman é o 9.º chefe do poder legislativo a assumir o governo do Estado desde 1892. Antes dele, foram governadores interinos os deputados Ezequiel de Paula Ramos, presidente do Senado Estadual, de 21 a 26 de setembro de 1892, na ausência do presidente do Estado, Bernardino de Campos; Francisco de Assis Peixoto Gomide, presidente do Senado Estadual, de 14 de abril a 1º de maio de 1896, por vacância do cargo de presidente do Estado; Antonio Dino da Costa Bueno, presidente do Senado Estadual, de 27 de abril a 14 de julho de 1927, por falecimento do presidente do Estado Carlos de Campos; Néfi Tales, presidente da Assembléia Legislativa, nos dias 1º e 2 de março de 1985, durante viagem do governador André Franco Montoro ao Uruguai e à Argentina; Luis Carlos Santos, presidente da Assembléia, de 11 a 16 de dezembro de 1986, durante viagem do governador Montoro ao exterior; Tonico Ramos, presidente da Assembléia, de 7 a 17 de fevereiro de 1991, durante viagem do governador Orestes Quércia ao exterior; Carlos Apolinário, presidente da Assembléia, de 8 a 18 de maio de 1992, durante viagem do governador Luiz Antonio Fleury Filho ao exterior; Vitor Sapienza, presidente da Assembléia Legislativa, nos dias 12 e 13 de dezembro de 1994, durante viagem do governador Fleury ao exterior.

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