Opinião: Salas de aula superlotadas: prejuízos incalculáveis
Todo início de ano é a mesma coisa: ordens camufladas da Secretaria Estadual de Educação - sempre negadas ou disfarçadas - obrigando as escolas a diminuírem o número de salas de aula e superlotar as restantes.
Todo início de ano é a mesma coisa: a imprensa denuncia, mostra listas com absurdos 48 (ou mais) alunos matriculados em uma mesma classe e os responsáveis pela secretaria esmerando-se em desculpas semânticas, às vezes contraditórias, explicando o inexplicável.
Os burocratas da SEE devem basear suas decisões nos seguintes pressupostos: a) administrar bem o sistema é enxugar classes; b) salas de aula são depósitos de alunos e, apertando, sempre cabe mais um; c) escola pública não deve se preocupar com qualidade de ensino; d) os alunos abandonam, no meio do caminho, os cursos em que são matriculados e; e) a escola pública pode começar o ano sem se planejar e ir se planejando ao longo do ano.
Ledo engano. E os prejuízos são incalculáveis. Pensemos sobre alguns deles.
Total inviabilidade de se montar um bom projeto pedagógico para uma escola que sabe como começa e não sabe como termina o ano escolar. A mudança é a única permanência.
Impossível sentir-se bem em um espaço apertado, projetado para cerca de 30 alunos, onde se acotovelam uma dezena ou duas a mais. Impossível dar um atendimento mais individual aos alunos. Só para fazer a chamada de presença e tentar sincronizar a atenção de todos lá se vai quase um terço do tempo. Numa época em que ter uma relação próxima, quase individual com os alunos, seria o desejável, o que sobra para mestres e aprendizes é uma convivência massiva. Até já se cogitou (o DPME que o diga) dotar as salas de microfones!
Mal acomodados, os alunos, principalmente os adolescentes e os jovens, não se interessam, não se "ligam" e, consequentemente, não valorizam o que a escola tem para oferecer. Daí a alta taxa de abandono (evasão, abandono, desânimo e desinteresse etc).
Mal assessorados, tanto na questão dos prédios quanto dos equipamentos e materiais didáticos, os professores sofrem com isso e muitos adoecem. Há pesquisas que mostram o adoecimento como consequência das péssimas condições de trabalho.
O que eventualmente a SEE economiza com essa atitude centralizadora e autoritária, pedagogicamente míope, perde-se adiante. Economizar alguns milhões de reais em tempos que os executivos não primam pelo bom uso do dinheiro público é pouco significativo diante do prejuízo na qualidade do ensino, na deformação da carreira e no presente e futuro de nossas crianças e jovens, agora e quando adultos.
Os números da economia, numa visão acanhada de que botar dinheiro em educação é gasto e não investimento, são visíveis a curtíssimo prazo. O prejuízo para os educadores e para o futuro da moçada não são tão visíveis e demoram a aparecer. Mas aparecem. Basta consultar resultados da parafernália de provas e exames diagnósticos e o desempenho nos vestibulares. E outros tantos resultados que não se apresentam a olho nu, mas que batem em nossas portas cotidianamente.
Basta de "economês" na educação. Chega de superlotação. Pela aprovação imediata do PL 517/2007, de nossa autoria, projeto que põe ordem e limites nessa insensata e autoritária ação da administração pública educacional de superlotar salas de aula.
Com a palavra a Secretaria Estadual de Educação.
*Carlos Giannazi é deputado estadual pelo PSOL e membro titular da Comissão de Educação e Cultura da Alesp.
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