Maio Amarelo: veículos 'levíssimos' ganham as ruas e trazem desafios para o trânsito

À medida que a população vem aderindo a esse tipo de transporte, sua consolidação ainda enfrenta conflitos no uso do espaço viário, problemas de segurança e acessibilidade
29/05/2026 15:49 | Educação | Cauã Dezordi - Fotos: Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil e Arquivo Pessoal

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Há 300 mil levíssimos em circulação no Brasil<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-05-2026/fg365472.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Empresário Marcus Caires: facilita a rotina<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-05-2026/fg365473.jpeg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

A eletromobilidade está cada vez mais presente no cotidiano das cidades brasileiras, seja pelo avanço dos carros elétricos e híbridos, seja pela popularização dos chamados "levíssimos", que é uma categoria de veículos muito leves, compactos e de baixa potência, como bicicletas, motocicletas, patinetes e veículos similares.

Na rotina urbana, os "levíssimos" surgem como alternativa para evitar os congestionamentos e garantir mais agilidade nos deslocamentos diários. Ao mesmo tempo em que a população vem aderindo a esse tipo de transporte, a consolidação desses veículos ainda enfrenta desafios, como conflitos no uso do espaço viário e questões relacionadas à segurança e à acessibilidade.

A Pesquisa Anual de Comércio Varejista 2026, feita pela Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), indicou crescimento de 3.637% no total de levíssimos entre 2016 e 2024, com cerca de 300 mil unidades atualmente em circulação.

A presença dos patinetes em metrópoles, como São Paulo, é resultado da expansão de empresas do setor de locação de veículos levíssimos. Uma delas opera cerca de 1,6 mil patinetes, que corresponde a uma quantidade 60% maior que em 2025. Outra empresa conta com 10 mil, equivalendo a um crescimento de 450% em comparação com o ano anterior.

Quem usa os "levíssimos"

O empresário Marcus Caires, de 38 anos, relata que o uso de um "levíssimo" facilitou sua rotina, especialmente em trajetos curtos, como idas à academia ou à padaria. Ele destaca que a economia e o conforto proporcionados pela eletromobilidade otimizaram seu tempo de deslocamento.

"Utilizo o elétrico há dois anos e me adaptei rapidamente. Consigo me deslocar de forma rápida e barata dentro do bairro onde moro. A economia e o conforto que tenho com o levíssimo facilitaram o meu dia a dia", comenta o empresário.

Desafios

Os levíssimos passaram a fazer parte da rotina das grandes cidades. Com eles, também surgiram problemas relacionados ao uso desses veículos e à infraestrutura urbana.

O especialista em trânsito Marcos Antônio de Alcântara Pires lembra que a falta de educação básica no trânsito contribui para a insegurança na utilização desses equipamentos. Segundo Pires, o uso de capacete não é obrigatório e o limite de velocidade, que deveria ser de até 20 km/h para veículos autopropelidos, como bicicletas e patinetes elétricos, é frequentemente desrespeitado. Esses fatores dificultam a fiscalização e comprometem a segurança tanto no trânsito quanto nas áreas de circulação de pedestres.

Acidentes envolvendo os levíssimos dispararam em grandes cidades em 2025. Em São Paulo, os acidentes se concentram nas ciclovias, onde bicicletas comuns, pedestres e levíssimos disputam espaço diariamente. De acordo com o relatório da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, as ocorrências com ciclistas aumentaram 15% nos primeiros meses de 2026 em comparação com 2025.

Para o pesquisador do Programa de Pós-doutorado em Engenharia de Transportes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luiz Vicente Figueira de Mello, "os autopropelidos podem ser considerados uma das soluções, se de fato tivermos, inicialmente, uma infraestrutura viária que comporte a eletromobilidade".

Ciclovias

Os levíssimos têm permissão para circular em ciclovias e ciclofaixas, respeitando a velocidade imposta de 20km/h. Na ausência dessas, podem circular em vias urbanas com velocidade máxima de até 40km/h. Em calçadas, a circulação só pode ocorrer com autorização local e com velocidade máxima de 6km/h, respeitando sempre o pedestre.

Legislativo Paulista

Nos últimos anos, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo tem criado medidas sobre o tema, como a realização de audiências públicas e a Frente Parlamentar para Incentivo à Eletromobilidade no Estado de São Paulo.

Entre os temas debatidos pela Frente estão os desafios para ampliar a eletrificação de veículos nas cidades paulistas e a regulamentação de estações de recarga de veículos elétricos em garagens de prédios e condomínios no estado.

Em dezembro de 2025, a Alesp aprovou a Lei 18.403/2026, que regulamenta a instalação de estações para recarga de veículos elétricos em condomínios. A norma assegura o direito à instalação de pontos de recarga em garagens de prédios residenciais e comerciais, medida que facilita a expansão da eletromobilidade no Estado.

Maio Amarelo

A Lei 17.454/2021, de autoria do ex-deputado Roberto Engler, instituiu o "Maio Amarelo" no estado. O objetivo da campanha é conscientizar e alertar a população para a prevenção de acidentes no trânsito por meio de ações educativas e fiscalizações promovidas pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP), em cooperação com a iniciativa privada, entidades civis e organizações.

alesp