Seminário na Alesp defende maior integração do transporte coletivo na Região Metropolitana de SP

Organizado pelo deputado Maurici (PT), o encontro reuniu especialistas, representantes políticos e integrantes da sociedade civil para debater alternativas que facilitem os deslocamentos da população entre diferentes cidades e modais, como ônibus municipais, ônibus metropolitanos, trens e metrô
01/06/2026 14:23 | Transporte Público | Da Redação - Fotos: Patricia Domingos

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Seminário realizado na Alesp<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg365519.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Maurici: integração é buscar qualidade de vida<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg365540.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo recebeu, na sexta-feira (29), um seminário para discutir propostas de maior integração do transporte público na Região Metropolitana de São Paulo, formada por 39 municípios.

Organizado pelo deputado Maurici (PT), o encontro reuniu especialistas, representantes políticos e integrantes da sociedade civil para debater alternativas que facilitem os deslocamentos da população entre diferentes cidades e modais, como ônibus municipais, ônibus metropolitanos, trens e metrô.

Segundo o parlamentar, o transporte na região metropolitana precisa ser pensado de forma conjunta, com sistemas integrados e possibilidade de tarifa única. "Hoje, há a necessidade do pagamento de tarifas muito elevadas quando ocorre o uso de diferentes modais, como ônibus e metrô ou trens e ônibus", afirmou.

Maurici destacou que a situação é ainda mais difícil para moradores das demais cidades da região metropolitana que precisam se deslocar entre municípios. Nesses casos, segundo ele, muitas vezes é necessário pagar uma nova passagem a cada trecho da viagem.

"Uma das consequências são as longas caminhadas involuntárias para evitar a utilização de mais de um modal ou de ônibus de diferentes municípios", disse o deputado.

Qualidade de vida

Para Maurici, a integração dos sistemas de transporte também está diretamente relacionada à qualidade de vida dos trabalhadores. O parlamentar defendeu a criação de um sistema metropolitano único, que permita deslocamentos mais rápidos, baratos e eficientes.

"O objetivo é integrar todos esses modais para que você tenha um único sistema metropolitano, que torne o transporte mais barato. Com um único bilhete, a pessoa poderia ir e voltar durante o dia, seja para o trabalho, para a escola, para espaços de lazer ou de convivência", afirmou.

O deputado também relacionou a melhoria do transporte coletivo à redução de acidentes, da poluição e dos custos de manutenção do sistema viário. "Quando falamos em diminuir o tempo de deslocamento e não encarecer a tarifa, estamos falando também em melhorar a qualidade de vida do trabalhador", completou.

Matheus Oliveira, membro do mandato coletivo JuntOz, em Osasco, afirmou que a falta de integração afeta principalmente a população das periferias. Segundo ele, em muitos bairros, o transporte municipal é insuficiente, o que leva moradores a recorrerem a alternativas mais arriscadas.

"Toda a região metropolitana urge por um sistema integrado de transporte. É muito complicado quando pensamos a partir da perspectiva das periferias, que muitas vezes nem têm acesso adequado ao transporte municipal", disse.

Ele citou como exemplo a utilização de transporte por aplicativo em motocicletas em Osasco. "A população está usando massivamente o Uber Moto, que é um transporte arriscado, com muitos acidentes. Ainda assim, muitas vezes é a única opção viável para quem mora na periferia. Em alguns casos, custa o mesmo valor da tarifa do ônibus, com a diferença de que a pessoa espera 10 minutos, e não uma hora", afirmou.

Integração técnica

Durante o seminário, Luiz Renato Mattos, cofundador da OnBoard, empresa especializada em bilhetagem para transportes públicos, apresentou possibilidades técnicas para viabilizar a integração entre diferentes sistemas de transporte.

Segundo ele, um dos modelos possíveis é o sistema baseado em conta, semelhante ao funcionamento de uma conta bancária. Nesse formato, os créditos não ficam distribuídos em diferentes cartões ou mídias, mas centralizados em uma conta vinculada ao usuário.

"No modelo baseado em conta, a segurança é maior porque o dinheiro não está distribuído nessas mídias. Ele fica centralizado em uma conta, e o sistema registra apenas as utilizações. Isso traz um ganho incremental muito grande e possibilita a integração entre os entes", explicou.

Marco legal

O especialista em mobilidade Rafael Calabria também participou do debate e falou sobre o marco legal do transporte público coletivo. Segundo ele, a proposta busca reorganizar a forma como o transporte coletivo é tratado no Brasil, com atribuições para municípios, estados e também para a União.

Calabria afirmou que um dos pontos centrais do marco é estimular a formação de consórcios regionais ou metropolitanos para facilitar a circulação da população entre diferentes cidades.

"O marco orienta que as cidades se juntem em consórcios regionais ou metropolitanos para que a população consiga circular entre os municípios com um sistema integrado, tarifa unificada e caminhando para a tarifa zero", disse.

Assista ao evento na íntegra, em transmissão da TV Alesp:

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