Vitória de Lula inaugura novo ciclo no país

OPINIÃO - Nivaldo Santana*
29/11/2002 16:44

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Pela primeira vez na história, os brasileiros elegeram um operário para governar o Brasil. Luis Inácio Lula da Silva recebeu mais de 52 milhões de votos que levam, também pela primeira vez, forças políticas e sociais do campo da esquerda ao governo em nosso país. Este é um fato extraordinário, que provoca ampla repercussão interna e em todo o mundo.

Lula foi eleito por uma ampla frente, na qual o PCdoB teve importante papel. Desde 1989, o PCdoB persiste no apoio a Lula e, em 2002, o povo mostrou seu desejo de imprimir um novo rumo para o país.

A ampla coalizão de forças políticas e sociais que apoiaram Lula deve dar início à transição para um novo modelo. Pela sua magnitude, a vitória das últimas eleições pode ser comparada aos grandes acontecimentos históricos do país (Independência, Abolição, República e Revolução de 1930). São amplas as possibilidades de construção de um novo projeto, o que será feito em meio à luta entre dois campos: o novo governo e a nova oposição.

A complexa herança que FHC deixa para Lula mostra que a transição não será fácil. Uma árdua disputa entre as novas forças da mudança, que assumem o governo em janeiro, e as forças derrotadas, marcarão o cenário político no futuro imediato.

A década de 90, conhecida como a época do neoliberalismo e da era FHC, foi a pior do século XX. A renda dos trabalhadores é menor do que na década perdida de 80; o desemprego e o subemprego atingem a maioria da população economicamente ativa; o Brasil tem brutal endividamento e a governabilidade, para o atual governo, só é possível com o rigoroso aval do FMI. É enorme o estrago social feito pelo neoliberalismo nos últimos anos em nosso país.

Assumir o governo não significa conquistar o poder em toda sua plenitude. As forças derrotadas têm grande apoio externo e interno, e a oposição será nucleada pelo PSDB, força estruturante dos que se opõem às mudanças. Esse partido tem sete governos, base importante no Congresso e nutre o objetivo de voltar ao governo daqui a quatro anos.

Os pilares de sustentação do novo projeto apontam para uma política que considere os interesses nacionais, do povo e da democracia. O ponto de partida é um projeto desenvolvimentista e de distribuição de renda, apoiado, principalmente, no mercado e na poupança interna. Para viabilizar esse novo projeto, é fundamental o apoio ao novo governo, capaz de respeitar os compromissos mas questionar os entraves ao desenvolvimento e preparar as condições para as mudanças necessárias.

A construção de um amplo pacto nacional pelo desenvolvimento e a mobilização popular devem marcar a atuação do movimento popular na atualidade.

A questão chave é a travessia do velho para o novo modelo. A elaboração de uma plataforma para as mudanças que coloque no mesmo rumo o novo governo e o movimento popular é um grande desafio. O governo precisa dar sinais claros e concretos do rumo que será seguido, mesmo que haja percalços e sacrifícios no início da transição.

A constituição de um governo amplo, frentista, a realização de uma plataforma de mudanças, a construção de consensos na sociedade e a mobilização popular poderão determinar mudanças sem precedentes na história atual do país e do mundo.

* Nivaldo Santana é deputado estadual pelo PCdoB.

alesp