O MUNDO PEDE JUSTIÇA E PAZ - OPINIÃO

Hamilton Pereira*
13/11/2001 14:04

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Personalidades admiráveis como Adolfo Perez Esquivel, Dalaï Lama, Desmond Tutu, Elie Wiesel, José Ramos Horta, Michail Gorbatchev, Nelson Mandela, Norman Borlaug, Rigoberta Menchu e Shimon Peres, todos laureados com o Prêmio Nobel da Paz, lançaram o Manifesto 2000 por uma Cultura de Paz e Não-Violência. A Cultura da Paz é, desde 1995, um Programa de Ação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com o objetivo de transformá-la num movimento mundial.

O Manifesto reuniu 75 milhões de assinaturas em todo o planeta e serviu como coroamento da Assembléia do Milênio da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em setembro de 2000, que reuniu chefes de estado e representantes de organizações não-governamentais dos quatro continentes.

Neste ano, o Nobel da Paz foi exatamente para a própria ONU e ao seu secretário-geral, o ganense Kofi Annan, pelo trabalho desenvolvido em favor de um mundo mais organizado e pacífico. Com 198 estados-membros, a ONU é o fórum internacional mais adequado para resolver conflitos internacionais. Está na hora destes estados-membros começarem a praticar as diretrizes definidas pela entidade internacional à qual estão filiados.

Os atentados terroristas de 11 de setembro contra os Estados Unidos e a resposta bélica contra o Afeganistão ofuscaram a iniciativa dos laureados com o Nobel da Paz? Tornaram nulos os 75 milhões de assinaturas? Acredito que não, porque o Manifesto 2000 não foi um fim em si mesmo, mas o começo do compromisso individual dos cidadãos e das cidadãs do mundo, encorajando-os a se juntar às organizações e instituições envolvidas em diferentes áreas da cultura da paz.

Não há ato, por mais estúpido e truculento que seja, capaz de apagar os seis pontos do Manifesto, a começar pelo primeiro: "Respeitar a vida". Não há ser humano comprometido com a vida que não concorde com o segundo princípio, qual seja "Rejeitar a violência". Não há quem pratique qualquer credo religioso de forma positiva que descarte o terceiro ("Ser generoso") e o quarto ("Ouvir para compreender") fundamentos. Não há ecologista ou quem se preocupe com a natureza que não defenda o quinto item: "Preservar o planeta". Não existe, por fim, ativista político que confronte o sexto e último ponto do Manifesto: "Redescobrir a solidariedade".

O mundo assiste atônito à luta dos Estados Unidos e seus aliados contra o terrorismo ser transformada em um fim em si mesmo, causando, com bombardeios, incontáveis vítimas inocentes - crianças, mulheres e idosos - e relegando à estrada milhões de desabrigados e refugiados. A nefasta lógica do "olho por olho, dente por dente" só aumenta a insegurança mundial, pois não haverá paz construída sobre a injustiça.



As vozes exigindo a substituição de ações bélicas por esforços globais de desenvolvimento humano, visando um mundo socialmente mais justo e, portanto, pacífico, atendem aos ideais dos Nobel da Paz. Na introdução ao Manifesto expressam que transformar atos e gestos em cultura pela paz "exige a participação de cada um de nós, e deve oferecer aos jovens e às gerações futuras valores que os ajudem a construir um mundo baseado em justiça, solidariedade, liberdade, dignidade, harmonia e prosperidade para todos".

Falar em gerações futuras faz sentido porque, além de proclamar 2000 como o Ano Internacional da Cultura da Paz, a ONU declarou o período 2001-2010 como a Década Internacional da Cultura da Paz e Não-Violência para as Crianças do Mundo. Se cada um fizer sua parte pela cultura da paz, formaremos um imensa consciência coletiva que tornará muito melhor o futuro da humanidade, em especial das crianças de hoje e de amanhã.

Fica claro que a paz é dever de todos nós e que os Poderes precisam agir integradamente em sua conquista, seja em nível mundial, seja em nível nacional, estadual ou municipal. Ela é a palavra-chave para que não se guerreie em seu nome, em sua busca, e sim que passe a ser parte de nossa cultura, de nosso íntimo, ainda mais num país de jovens como o Brasil.

Hamilton Pereira é deputado estadual pelo PT e 1.º secretário da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa de São Paulo

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