Na CPI do Trote Universitário professores defendem mudança de cultura nas Universidades paulistas.
21/01/2015 11:40
O presidente da CPI, deputado Adriano Diogo (PT), lembrou que o reitor é formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, o que dá peso a seu depoimento. Sua vinda mostrará ainda que a CPI não tem como objetivo desmoralizar a universidade. Professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH), Heloísa Buarque de Almeida contou que quando começou a lecionar na área de teoria de gênero, há cerca de três anos atrás, passou a ouvir relatos de violência sexual na universidade, ligada ao cotidiano acadêmico. Tornou-se coordenadora do programa USP Diversidade no início de 2014.
A partir daí a professora Heloísa começou a receber denúncias de casos de estupro, de abuso físico e psicológico ocorridos no cotidiano das faculdades, nas repúblicas, festas e trotes. Para a professora Heloísa, falta à USP mecanismos para apoiar as vítimas. . É necessário o estabelecimento de uma ouvidoria externa aos cursos, especializada e autônoma. Maria Fernanda Tourinho Peres, professora de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP falou da pesquisa, chamada Projeto Quara (Qualidade das Relações no Ambiente), que coordenou sobre a violência no ambiente universitário. Para Luís Fernando Tófoli, professor de psiquiatria da Unicamp formado pela FMUSP, a psiquiatria, infelizmente, não tem grandes explicações. Nesses casos a antropologia é mais útil. Tófoli considera ser possível mudar a cultura de violência que existe em São Paulo. Também professor da Faculdade de Medicina, atualmente licenciado, e ex-participante da Congregação da USP, Paulo Saldiva também defendeu uma mudança institucional na universidade, ainda que demore anos para ser implementada totalmente. Para ele, as denúncias de violência na Faculdade de Medicina mostraram que ela "estava mais doente do que pensávamos" .
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