Opinião: Os 117 anos de Jardinópolis, nossa sempre Terra da Manga
Convidado pelo jornalista Zeca Figueiredo para escrever, na edição especial do Jornal Mídia alusiva ao 117º aniversário de Jardinópolis - completáveis na próxima segunda-feira, 27/7 - um artigo sobre essa cidade tão amiga e tão acolhedora acabei me debruçando um pouco numa rica história marcada por um lance curioso: o primeiro prefeito, doutor João Muniz Sapucaia, construiu, em sua gestão, o Cemitério Municipal e lhe coube, por ironia do destino - certamente não por vontade própria - "inaugurá-lo". Vai daí que, diante dessa fatalidade, diversas administrações se passaram sem qualquer investimento ou melhoria nesse próprio municipal: só muitos anos mais tarde, aquele que foi a maior figura da historia política da cidade, Newton Princivalli da Silva Reis, conhecido apenas por Newton Reis, realizou uma reforma no cemitério. Newton, falecido em 1998, foi prefeito em quatro mandatos (o último entre 1989 e 1992), sendo responsável pela maioria de escolas, postos de saúde e outras realizações; tambem foi responsável pela instalação da comarca no dia 22/8/1965 (66 anos depois de criada!) pela letra do hino da cidade e pela inauguração da rodovia de acesso ligando a cidade à via Anhanguera, quando optou por afixar as placas alusivas em um "disco voador" ao invés de um simples obelisco.
A população de Jardinópolis foi formada , inicialmente, por imigrantes italianos, sírio-libaneses, japoneses, portugueses e espanhóis, no início se dedicando ao cultivo do café, da manga e, posteriormente, ao da cana-de-açúcar. Também, para lá, migraram famílias de nordestinos que, buscando o garimpo nas Minas Gerais, acabaram se estabelecendo não apenas em Jardinópolis mas também em outras cidades da região, inclusive em Ribeirão Preto. O primeiro nome dado ao pequeno povoado, na época distrito de Batatais, nas proximidades do rio Pardo e por apresentar uma ilha em seu curso, foi Ilha Grande; em 1896 foi alterado para Jardinópolis, numa singela homenagem do fundador Domiciano Alves de Rezende, ao republicano Antônio Silva Jardim, desaparecido tragicamente numa erupção do vulcão Vesúvio, na Itália. Teve sua emancipação política em 27/7/1898 e em 18/2 do ano seguinte foi criada a comarca sob a Lei Estadual 5.285.
Grande produtor de mangas nas sete primeiras décadas do século 20, Jardinópolis ganhou o apelido de Terra da Manga, do qual seus habitantes tanto se orgulham, daí serem conhecidos como Bocas Amarelas. Com a crise do petróleo dos anos 1970 e a criação do Proálcool como alternativa de combustível para o país, aderiu à cana-de-açúcar, que tomou conta da maior parte de suas terras reservadas para a agricultura, a exemplo do acontecido em Ribeirão Preto, Sertãozinho e outros municípios da região. Alguns pomares de manga, no entanto, acabaram resistindo; além disso, Jardinópolis ampliou sua condição de importante centro de embalagem e distribuição de mangas procedentes de vários Estados, entre os quais a Bahia.
Não posso deixar de reverenciar, quando falo de Jardinópolis, outra grande expressão política e humana da história não tão recente desta querida cidade: o médico e humanista doutor Arthur Costacurta. Durante muitos anos, o doutor Costacurta foi um verdadeiro "cacique" político mas nunca agiu em interesse próprio, sempre se pautando pelo interesse coletivo e também pelo atendimento humanitário que dava aos desvalidos numa época onde não existia nem o SUS e nem os planos privados de saúde.
*Welson Gasparini é deputado estadual pelo PSDB, advogado e ex-prefeito de Ribeirão Preto.
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