Opinião - Sou deputada e engravidei! E agora?
"E se você engravidar enquanto estiver deputada?"; "Aí terei mais um filho!". Essa foi a minha resposta (um pouco debochada, mas também verdadeira) para a pergunta que eu ouvi algumas vezes, tanto na campanha, quanto depois de eleita. Uma mulher, jovem, mãe e sem familiares políticos tinha na possibilidade de uma gravidez durante o mandato mais uma dentre as várias "inadequações" para o cargo.
E foi o que aconteceu. Em 2018, elegi me com uma história e um perfil diferente da maioria dos meus colegas da Alesp, criando uma nova referência para muitas meninas e mulheres. Cheguei com 31 anos, um filho de 1 ano e alguns meses e muitos planos de futuro - tanto para política quanto para a minha vida.
Juntando às minhas aspirações de vida pessoal e profissional, estava claro que eu engravidaria durante o mandato. O plano era que acontecesse lá pelo segundo ano, porém logo no início, em um momento de grande dedicação e aprendizado, engravidei. Hoje, escrevo este texto com a minha filha de 21 dias no colo para contar a quantas andam nossos planos de futuro e compartilhar alguns aprendizados que tive até aqui.
2019 foi um ano intenso. De aprender a ser deputada estadual, a estar grávida novamente e desempenhar ambos os papéis com excelência. Tive muito apoio da minha equipe e família, de muitos eleitores e de colegas parlamentares. Mas também fui tratada como "café com leite" em diversas situações. Uma mulher, jovem e grávida não tem a mesma credibilidade. E para ter voz, o esforço era dobrado. Tinha que ser duas vezes mais enfática e saber com duas vezes mais profundidade o que estava sendo discutido.
Os desafios do futuro já estão colocados: como as futuras gerações, que hoje estão na primeira infância, vão lidar com os resultados das mudanças climáticas em curso? Como vamos priorizar as nossas dívidas com o passado, com o combate ao racismo estrutural, com educação e saúde para todos, com dignidade, moradia e com uma desigualdade social que só cresce e só tende a crescer? Como será o mercado de trabalho e o pacto social em um mundo de automação e inteligência artificial? Como lidaremos com os desafios bioéticos do avanço da medicina? Não são poucas as perguntas, ao contrário das respostas que custam a chegar.
Meu primeiro ano na Alesp me deu a certeza de que a construção da agenda de futuro é urgente e necessária. Não estamos legislando para o amanhã. A forma como fazemos leis não tem considerado os cenários mais prováveis. As tecnologias estão mudando tanto, por exemplo, que pode não haver emprego para todos muito em breve. E como vamos sustentar tudo isso? Essa é uma discussão que o mundo tem feito e que a política deveria estar à frente.
Nós políticos precisamos, no mínimo, pautar esses temas. Ao invés de continuarmos usando o parlamento para polarizações inócuas, ofensas vazias, e para aprovarmos soluções ultrapassadas e projetos inúteis.
Ao criar um mandato que concebe esse espaço, inovamos usando tecnologia, jogos, participação e comunicação para aproximar a população.
No fim, a gestação também foi uma dessas ferramentas. Gestar mais uma vida trouxe este grande significado para mim: é mais uma possibilidade. Ter minha filha nos braços me dá a certeza de que a força da mulher de gerar e trazer ao mundo uma pessoa também é fundamental para o futuro da política.
Por mais mulheres grávidas na política. Por uma política que construa o futuro.
*Marina Helou é deputada estadual pela Rede Sustentabilidade.
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