Implantação de PEI sem construção de escolas provoca déficit de 14 mil vagas na rede pública

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11/02/2022 14:47 | Atividade Parlamentar | Da assessoria do deputado Carlos Giannazi

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"Estamos vivendo um verdadeiro retrocesso no Estado de São Paulo. O desgoverno Doria, com seu secretário Rossieli Soares, está nos remetendo aos sombrios anos 1990, quando tínhamos filas e mais filas de crianças e adolescentes buscando uma vaga na escola pública", afirmou Carlos Giannazi (PSOL) em seu pronunciamento na Tribuna Virtual, em 7/2.

O deputado se referia à notícia, amplamente divulgada pela imprensa, sobre o fato de que, somente na capital, mais de 14 mil crianças ficaram de fora do ensino fundamental, uma situação que se repete na Grande São Paulo, na Baixada Santista e também no interior.

"Nós já vínhamos denunciando exaustivamente que esse seria o resultado da farsa criada com o Programa de Ensino Integral (PEI), e é muito simples entender por quê. Se uma escola de mil alunos vira PEI, ela só vai atender 400 ou, no máximo, 500 alunos. Os outros 500 ou 600 serão dispersos, matriculados em escolas distantes ou não matriculados. Nem o governo sabe o que acontece com esses alunos, porque não há planejamento nenhum", explicou.

Giannazi se mostrou ainda mais indignado com a "solução" apresentada pelo governo depois que o escândalo veio à tona, um artifício que vai além da corriqueira superlotação das salas de aula. "Agora, para correr atrás do prejuízo e tentar esconder a contradição de seu programa nefasto, autoritário e excludente, a rede vai acabar com os espaços pedagógicos das escolas, como as salas de leitura, de informática, e com os poucos laboratórios que existem. Todos serão desativados para acomodar esses alunos", denunciou.

Além desse déficit de vagas contabilizado, existe outro, mais fácil de ser ocultado. Trata-se dos alunos trabalhadores no período noturno e dos alunos de EJA. Dadas as dificuldades enfrentadas por esses estudantes, quanto maiores forem as dificuldades impostas pelo governo, maior será a evasão. E, sem que haja pedidos de matrícula, essa demanda fica invisibilizada. Não obstante o conhecimento desse fato, nos últimos anos centenas de escolas fecharam seu período noturno ou diminuíram o número de salas nesse horário, tanto no ensino regular como no EJA. "Doria queria uma vitrine para sua propaganda eleitoral, só que essa vitrine está sendo estilhaçada antes do tempo", concluiu.

alesp