Obra do Metrô na Vila Têxtil destrói praça e contamina área de proteção ambiental

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08/03/2022 15:53 | Atividade Parlamentar | Da assessoria do deputado Carlos Giannazi

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A falta de transparência e de abertura ao diálogo por parte do Metrô talvez seja o principal motivo do embate com os moradores da Vila Têxtil em relação à construção de um estacionamento subterrâneo de trens, sob a praça Mauro Broco. A população está indignada com a quantidade de árvores que estão sendo derrubadas nessa rara área verde da zona leste de São Paulo e já conseguiu, por pressão popular e por atuação do Ministério Público, que o número de árvores removidas fosse reduzido de 355 para 145. Além da cobertura vegetal, a área é também um sítio arqueológico tombado pelo Iphan.

O assunto foi tema de audiência pública no espaço virtual da Alesp em 7/3, em evento convocado por Carlos Giannazi (PSOL). Nessa oportunidade, os moradores também denunciaram o esgotamento de água suja do canteiro de obras no córrego Rapadura, comprometendo assim a área de proteção do Parque Linear Rapadura, adjacente à praça. "Havia outra opção. A 150 metros da praça Mauro Broco existe um terreno sem nenhuma árvore, com mais de 400 mil m², dos quais 15 mil m² pertencem à prefeitura", informou a moradora Marta Cavalcante.

Bruno Augusto apontou que a escolha da área não levou em conta o bem-estar da comunidade, uma vez que o canteiro de obras é pequeno e cercado de casas, por isso os caminhões de concreto passam a noite estacionados em ruas residenciais, com motores ligados e betoneiras girando, incômodo que não ocorreria se fosse escolhida a outra área, muito mais ampla.

Considerando a perda da praça um fato consumado - as 145 árvores foram removidas em 32/6/2021, assim que caiu a liminar que as protegia -, Bruno Augusto reivindica que ao menos a compensação ambiental seja feita na área de 15 mil m² da prefeitura, a 150 m de distância, e não em um local a 40 km, como pretende o Metrô.

Luiz Mazzucca alertou que o Complexo Rapadura não é nem ao menos citado no licenciamento ambiental obtido pelo Metrô junto à Cetesb. Além disso, nem mesmo as poucas exigências trazidas nessa licença estão sendo cumpridas, como as reuniões quadrimestrais com a comunidade.

A audiência foi coordenada por Vítor Guerreiro, assessor de Giannazi e morador da região, e contou com a participação dos moradores Cleuza Spinola, Daniela Felix, Lucilene Cimetta e Márcio Fagundes, do membro do Fórum Pró-Metrô Freguesia/Brasilândia, Leandro Silva, do vereador Celso Giannazi (PSOL), da codeputada Claudia Visoni (Bancada Ativista), além de representantes dos vereadores Toninho Vespoli (PSOL) e Gilson Barreto (PSDB).

Atendendo a encaminhamentos decididos na reunião, Carlos Giannazi encerrou a audiência

propondo-se a cobrar esclarecimentos da Cetesb, da Defesa Civil e da Secretaria de Transportes Metropolitanos. Para isso, o deputado apresentará requerimentos de convocação dessas autoridades às comissões de Transportes e de Meio Ambiente da Casa. Ele também pretende intermediar uma reunião entre uma comissão de moradores e o presidente do Metrô.

alesp