Estudantes protestam contra ensino híbrido e aumento de mensalidade em universidades do grupo Anima

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19/04/2022 15:46 | Atividade Parlamentar | Da assessoria do deputado Carlos Giannazi

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Carlos Giannazi (PSOL) está recolhendo assinaturas para protocolar na Assembleia Legislativa um pedido de CPI para investigar a atuação das universidades particulares no território paulista. A iniciativa foi motivada por denúncias de estudantes e professores de instituições como a Anhembi Morumbi e a São Judas, ambas ligadas ao grupo empresarial Anima. Em audiência pública organizada pelo parlamentar em 11/4, uma das informações mais contundentes foi a de que alunos estão tendo de arcar com o aumento de 11,3% no valor das mensalidades, enquanto as universidades do grupo estão oferecendo aos professores o reajuste de apenas 3%.

O aluno William Neves, que estuda fisioterapia na Anhembi Morumbi, disse ter ingressado na universidade quando ela ainda pertencia à Laureate, outro grupo empresarial igualmente interessado na lucratividade. Ocorre que após a mudança de titularidade, está havendo uma importante queda na qualidade. Isso pode ser verificado com o retorno às aulas presenciais, que está sendo postergado ao máximo pela universidade, que reúne em uma única teleaula até 2 mil estudantes de cursos e anos diversos. Para que isso fosse possível, o currículo dos cursos foi transformado em Unidades Curriculares (UCs), que massificam as abordagens. "Todo o conteúdo que eu tive no semestre passado, estou tendo novamente", reclamou. Seu colega Lucas Rocha, do curso de quiropraxia, também apontou que as UCs não são aceitas por outras faculdades no caso de transferência, e isso transforma os estudantes em consumidores cativos até o final do curso. "Não se pode alterar a grade curricular contratada no meio da graduação", argumentou.

Secretária-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE), Isis Mustafá acusou a Anhembi Morumbi de ter usado a pandemia para implantar definitivamente o ensino híbrido, inclusive ultrapassando o limite do MEC, que permite até 40% da carga horária por EaD. "O sucateamento da educação se aprofunda com a falta de regulação do ensino superior privado. Os grandes conglomerados educacionais abriram a porteira para diversos abusos que vêm ocorrendo diariamente nas universidades", complementou Bruna Brelaz, presidente da UNE. Ela resumiu as reivindicações dos estudantes em três pontos: contra a mercantilização do ensino superior; contra o aumento abusivo das mensalidades, e em defesa de 100% de aulas presenciais.

Celso Giannazi (PSOL), vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal paulistana, acrescentou mais um item no que ele chamou de maximização dos lucros pelo grupo Anima. "Além de precarizar o ensino e a mão de obra dos docentes, esse grupo também não paga tributos. Ele deve cerca de R$ 500 milhões, só para o município de São Paulo, de IPTU e ISS", disse o vereador, que se comprometeu a convocar os representantes do grupo Anima para que deponham na Comissão de Educação.

Carlos Giannazi também vai pedir a convocação dos representantes do grupo Anima na Comissão de Educação da Alesp, além de promover uma investigação sobre eventuais dívidas tributárias do grupo com o Estado e a União. O deputado também acionará o Ministério Público federal para que intervenha na questão, como ocorreu em outas ocasiões com as universidades particulares Uniesp e São Marcos.

Participaram da audiência o presidente da Federação dos Professores (Fepesp), Celso Napolitano; o defensor público Carlos Iza; a professora Adriana, que se demitiu da Anhembi Morumbi; a aluna da Universidade São Judas Nicole Kodama; Layane Cotrim, da UNE; Guilherme Alves, da União Estadual dos Estudantes (UEE-SP), e Maria das Neves, assessora da deputada Leci Brandão (PCdoB).

alesp