Audiência pública aborda impactos sociais do fim da jornada de trabalho 6 por 1 no Brasil
30/03/2026 16:39 | Direitos | Daiana Rodrigues - Fotos: Olívia Rueda
A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo recebeu, nesta segunda-feira (30), a audiência pública "6x1 Não! Uma nova jornada pela vida e trabalho", que contou com lideranças sindicais e entidades de classe. O evento abordou os impactos do fim da escala 6 por 1 sem redução salarial, que corresponde a seis dias trabalhados para apenas um de descanso, muito comum no comércio, serviços, hospitais e saúde. A medida está prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, apresentada no Congresso Nacional.
"O debate é antigo, mas veio se consolidando após a reforma trabalhista de 2017 e atingindo diversas categorias de profissionais, inclusive os 15 milhões de trabalhadores paulistas com carteira assinada no estado", disse o solicitante do evento, deputado Luiz Claudio Marcolino (PT).
Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a escala 6 por 1 reflete uma escolha cultural. "Antigamente, as redes de mercados e farmácias funcionavam aos domingos com escala de plantão e ninguém ficava sem seu remédio. Agora, virou uma febre funcionar 24 horas por dia porque a cultura americana passou a imperar no comércio do Brasil", complementou.
Marinho ainda explicou que a manutenção dessa jornada de trabalho afeta a saúde, a produtividade e a sustentabilidade das empresas. "A redução da jornada está associada a mais horas de sono e menos estresse crônico. Jornadas longas contribuem para um desgaste físico e mental e, consequentemente, um impacto direto na produtividade. Pensar nisso também é pensar na sustentabilidade dos negócios, que precisam de trabalhadores saudáveis", disse.
Impactos da redução
Autoridades e líderes sindicais presentes no evento destacaram alguns benefícios com a aprovação do fim da escala 6 por 1. Dentre os quais, estão a dignidade no trabalho, reorganização do tempo, além de melhorias na qualidade de vida e na saúde física e mental do trabalhador com diminuição das sobrecargas.
Benefícios para a economia, sociedade e saúde, como melhor redistribuição da renda, geração de mais empregos, ganho de produtividade e mais tempo livre para o trabalhador se dedicar à família, ao lazer e aos estudos e redução dos afastamentos no trabalho.
Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que um a cada quatro empregos serão impactados pela inteligência artificial (IA). A partir disso, a presidente do Sindicato dos Bancários do Estado de São Paulo, Osasco e região, Neiva Ribeiro, afirmou que, apesar da produtividade crescer e a tecnologia avançar, o tempo de descanso do trabalhador só reduz. A representante defende que é preciso analisar a quantidade de horas trabalhadas, a intensidade, o ritmo e o desgaste desse trabalho e como essas horas são distribuídas ao longo dos dias.
"A escala 6 por 1 é uma forma de distribuição desigual, sendo particularmente cruel em setores com salários mais baixos. Quando analisamos a situação feminina, nota-se uma desigualdade maior porque as mulheres acumulam o trabalho remunerado com o de cuidado da casa e da família. Por isso, discutir jornada de trabalho também é debater igualdade de gênero", disse Neiva.
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), Moisés Selerges, é fundamental que todas as categorias da classe trabalhadora se mobilizem nas ruas para pressionar o Congresso Nacional para aprovar o fim da escala 6 por 1. "Somos nós, trabalhadores, que produzimos a riqueza do país, então temos direito ao descanso", pontuou.
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Profissionais de Marketing, Empregados e Autônomos do Estado de São Paulo (SindPromark), Pedro Barnabé, disse que trabalhador exausto erra mais, adoece mais e gera mais custos para a sociedade. Nesse contexto, ele exemplificou que a escala 6 por 1 aprofunda casos de Burnout, ansiedade e outros problemas de saúde ligados ao esgotamento em profissionais de telemarketing, devido à pressão do prazo e do resultado.
"O trabalhador não nasceu para viver em função do trabalho. O trabalho é que deve servir à vida. Por isso, o debate é a favor de um novo modelo de equilíbrio, no qual o crescimento econômico caminhe com o bem-estar social", destacou Barnabé.
Assista à audiência, na íntegra, em transmissão da TV Alesp:
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