Retirada de exposição de funk e cultura periférica de museu é pauta de audiência pública na Alesp

Encontro reuniu artistas e admiradores para discutir o encerramento, antes do previsto, da exposição do Museu da Língua Portuguesa
16/06/2026 17:22 | Arte e cultura | Da Redação - Fotos: Rodrigo Romeo

Compartilhar:

Audiência realizada na Alesp<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg366083.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Paula: não criminalização da cultura funk<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg366063.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Renata Prado: falta de respostas<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg366064.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Dom Filó participou de forma remota<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg366065.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

"Eu não tenho dúvida de que esse é um ato de censura". Foi assim que a deputada Paula da Bancada Feminista (Psol) definiu a retirada da exposição Funk: um grito de ousadia e liberdade do Museu da Língua Portuguesa, tema de audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo nesta segunda-feira (15).

A exposição chegou ao museu em novembro do ano passado e foi retirada no final de maio, três meses antes do plano inicial. Segundo a curadora Renata Prado, os artistas não receberam respostas claras da gestão do museu e da Secretaria de Cultura do Estado sobre o adiantamento da troca de cartaz. "É o mínimo que nós merecemos, considerando que se tornou a terceira maior exposição da história do museu depois da sua reabertura", disse.

Paula fez uma representação ao Ministério Público do Estado de São Paulo para pedir explicações e a volta da mostra. "Eu quero saber para onde foi esse dinheiro que seria destinado para a exposição, para onde foi o orçamento. Tudo isso precisa ser contabilizado, então a nossa luta não é só pelo retorno da exposição, mas é uma luta especialmente para que haja reconhecimento, responsabilização e a não criminalização da cultura funk", completou.

Cultura periférica

A mostra foi concebida originalmente pelo Museu de Arte do Rio (MAR), e também passou por uma temporada na França. Mais de 470 obras contam sobre a cultura do funk, e explora não apenas a sonoridade, mas também os desdobramentos estéticos, políticos e econômicos de matriz periférica.

O curador Dom Filó explicou que o que aconteceu com a exposição não foi um fato isolado, mas faz parte de uma longa história de perseguição às expressões culturais negras no Brasil. "Estamos diante de uma escolha histórica. Podemos repetir os erros do passado, criminalizando a cultura negra, ou podemos construir um país capaz de reconhecer a potência criativa das periferias e transformar diversidade cultural em democracia efetiva", ressaltou.

Assista à audiência pública, na íntegra, na transmissão feita pela TV Alesp:

Confira a galeria de imagens

alesp