Setembro Amarelo: por que é importante falar sobre o suicídio?


10/09/2019 22:02 | Campanha | Laysla Jacob

Setembro Amarelo<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-09-2019/fg239659.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Um dos assuntos tratados como um grande tabu na sociedade brasileira é o suicídio. É algo que as pessoas não conversam e a mídia não se aprofunda. Muitos encaram o problema com distanciamento por temerem coloborar com o ato. A campanha Setembro Amarelo surge na contramão destes pensamentos e busca trazer o assunto à tona, dando visibilidade à ação silenciosa que precisa ser discutida com atenção.

A campanha foi criada no Brasil em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O mês também se associa com o dia 10 de setembro, marcado pelo Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Os números preocupam. No Brasil, 32 pessoas se suicidam diariamente. Por ano, este número chega aproximadamente a 12 mil pessoas, enquanto no mundo são quase 1 milhão de mortes desta natureza todos os anos. Embora o assunto não seja debatido, as tentativas e consolidações do ato continuam ocorrendo. Conversar sobre o assunto não deve ser algo evitado, pelo contrário. Por meio do diálogo podem ser identificados sinais e a própria pessoa pode se abrir para contar sobre a sua condição. Por meio desta abertura, aqueles que convivem podem estar atentos e buscar soluções, como encaminhamento médico e psicológico. Na cartilha "Suicídio: informando para prevenir", disponibilizada pelo Conselho Federal de Medicina, é demonstrado que o risco é maior para determinados recortes, como pessoas que passam por transtorno do humor, como a depressão e o transtorno bipolar, ou aqueles que fazem uso de substância psicoativa. Em números, as taxas correspondem a 35% e 22%, respectivamente.

A cartilha também deixa claro que a intenção de tirar a própria vida pode atingir pessoas de diferentes perfis. Homens, mulheres, jovens, adultos e idosos podem ser atingidos por pensamentos suicidas e devem receber o tratamento adequado para garantir que sua vida continue em segurança.

Legislação

Tramitam na Alesp projetos de lei que contribuem com o Setembro Amarelo. Um deles é o PL 1542/2015, do ex-deputado Gil Lancaster. A proposta cria o "Plano Estadual de Combate ao Suicídio", que por sua vez irá promover palestras, distribuições de cartazes e centros de atendimento para falar sobre o suicídio e atender pessoas que passam por um momento delicado. "Assim como a compreensão do suicídio é complexa, sua prevenção também o é. O Estado tem papel relevante para o tratamento desse transtorno, identificando possíveis sintomas, acompanhando e oferecendo possibilidades de recuperação aos que necessitem", afirma Lancaster.

Outro projeto é o PL 1104/2015, do deputado Rafael Silva (PSB). A medida inclui no calendário oficial do estado a "Semana Estadual de Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio". Se o período for incluso no calendário, irá abranger a primeira semana do mês de setembro. O objetivo será levar o tema para ser ministrado nas escolas.

O que eu faço agora?

Isolamento, falta de interesse por atividades que antes eram prazerosas, desesperança e sofrimento intenso são alguns sinais que podem mostrar que as coisas não vão bem. Para quem convive com alguém que apresenta estas características, o ideal, segundo os psiquiatras, é se aproximar e conversar. Em caso de perigo imediato, não a deixe sozinha e procure profissionais de saúde para casos de emergência. Nestas situações, por mais delicado que seja entrar no assunto, é importante estar por perto e demonstrar apoio e preocupação. Encorajar o outro a buscar auxílio, assim como saber escutá-lo com paciência, é um modo eficaz para manter o outro próximo.

O Centro de Valorização à Vida, que atende no telefone 188, realiza apoio emocional e preventivo ao suicídio, e pode contribuir com a melhora do quadro por meio do atendimento gratuito. O principal é compreender que você não está sozinho, e que existem muitos profissionais que podem ajudá-lo a superar esta fase difícil.

Quais entidades posso buscar ajuda?

CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).

UPA 24H, SAMU 192, Proto Socorro; Hospitais

Centro de Valorização da Vida - 188 (ligação gratuita)