PRIVATIZAÇÕES DE COVAS E ALCKMIN - OPINIÃO
As eleições municipais deste ano proporcionam a oportunidade de
resgatarmos, sucintamente, a história recente da privatização do setor
energético e seus impactos sobre a economia paulista e o bolso do
consumidor.
O governador Mário Covas e seu vice Geraldo Alckmin promoveram, com
a privatização, a piora da qualidade dos serviços de energia, os aumentos
abusivos das tarifas e reduziram em cerca de 65% os postos de trabalho do
setor. Não bastasse a entrega do patrimônio público a preço de banana, a
atual administração não conseguiu mudanças significativas no perfil da
dívida pública, continuou a cortar verbas das áreas sociais e perseverou
no arrocho de salários e cortes de benefícios dos trabalhadores. A dupla
Covas&Alckmin rezou pela cartilha de FHC e do FMI.
A tentativa de privatização do setor energético começou no governo
Fleury. Na ocasião, Mário Covas, candidato a governador, criticou esse
projeto. Jogando na lata do lixo suas promessas de campanha, Covas e
Alckmin empreenderam o maior programa de privatizações da história de
nosso Estado, com a aprovação do PL 71/96, que estabelecia as bases do
chamado Programa Estadual de Desestatização (PED) e criava a Companhia
Paulista de Administração de Ativos (CPA), em 26 de junho de 1996.
No dia cinco de julho do mesmo ano, Covas sancionou a lei 9.361/96, que
criou o PED e a CPA e nomeou Alckmin presidente dos dois. Foi Geraldo
Alckmin que definiu e executou as privatizações no Estado. Desde o
denominado "saneamento primário", etapa que reduz o número de
trabalhadores e arrocha salários, até a venda das rodovias, estradas de
ferro, empresas do setor elétrico, de gás e outras consideradas básicas
para a população. Esse governo conseguiu duas façanhas: entregou o
patrimônio público e aumentou a dívida do estado!
A política de terra arrasada, fortemente concentradora de renda
(menos empregos e constantes aumentos de tarifas) deteriora a qualidade
dos serviços prestados. É simples demonstrar: em dezembro de 1994, o
setor energético paulista possuía 51.399 trabalhadores; em junho de 1996
estavam reduzidos em 13.124, isto é, os serviços passaram a ser
executados por 38.275 empregados (fonte: revista do governo do Estado
"Você Sabia?" de 96). Hoje, segundo os sindicatos da categoria, o número
de empregados não chega a 19 mil. Ou seja, os parceiros Covas e Alckmin
reduziram o número de empregos nas energéticas em cerca de 65%.
Deste fato decorre a queda na qualidade da energia que chega ao
consumidor, o fechamento de agências de atendimento, além dos constantes
apagões e blecautes. Cabe acrescentar neste ponto que a política de
desemprego não se restringiu ao setor energético. É uma marca do atual
governo do PSDB, como mostra a demissão de 47 mil professores da rede
estadual de ensino.
É importante lembrar que o consumidor de baixa renda foi o mais
penalizado já que a política tarifária cresce de modo inversamente proporcional
ao consumo.
Por oportuno, cabe perguntar ao governo: por que continuar com a
privatização daquilo que ainda restou, como a Cesp-Paraná, sabendo que a
legislação permitirá aos grandes consumidores - o Estado é um deles -
adquirir energia de qualquer geradora? O Estado poderia adquirir energia
barata e teria referência real e confiável para regulação, fiscalização,
controle e determinação de tarifas, mantendo o controle das energéticas
que ainda fazem parte dele. O atual governo, em vez de facilitar,
dificultou o acesso da população aos serviços e entregou - na bacia das
almas - o patrimônio paulista às empresas privadas, particularmente às
estrangeiras. A defesa do setor produtivo nacional, da soberania do país
e dos interesses dos trabalhadores está em rota de colisão com a política
entreguista dos neoliberais tupiniquins.
*Nivaldo Santana é deputado estadual e líder da bancada do PCdoB.
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