Solenidade homenageia memória dos 50 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog
24/10/2025 16:34 | Colar de Honra ao Mérito Legislativo | Daiana Rodrigues - Foto: Rodrigo Costa
Em Sessão Solene realizada nesta quinta-feira (23), a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo concedeu o Colar de Honra ao Mérito Legislativo em homenagem à memória dos 50 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog. Proposta pelo deputado Eduardo Suplicy (PT), a cerimônia reuniu amigos e personalidades que lembraram a vida de um dos principais ícones da luta pela verdade, liberdade e dignidade humana durante a ditadura militar no Brasil.
A honraria legislativa foi entregue aos filhos do homenageado - os irmãos André Herzog e Ivo Herzog, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Vladimir Herzog. "É um orgulho imensurável receber esta homenagem e lembrar da trajetória do meu pai", disse Ivo. Já para André "cada homenagem é uma oportunidade de celebrar a memória dos eventos passados e conhecer melhor sobre a vida do meu pai, o que é muito duro, mas também muito bonito".
Segundo Suplicy, a entrega da medalha legislativa a Vladimir Herzog reafirma que não há presente sem memória. O parlamentar ainda disse que a democracia se enfraquece quando a violência estatal é naturalizada e que o Brasil precisa reconhecer os crimes da ditadura reparando suas vítimas.
"A história de Vlado expressa como a coragem resiste à opressão, nos lembra de como a democracia demanda construção permanente para plena garantia e efetivação dos direitos humanos", disse Suplicy.
Os deputados Suplicy e Donato (PT) também comentaram que esta homenagem representa uma reparação desta Casa Legislativa contra a democracia e o povo brasileiro. Além de ter reforçado a ideia, o deputado Carlos Giannazi (Psol) acredita que a entrega do Colar é uma forma de "fazer justiça com Herzog".
Durante a solenidade, Lorrane Rodrigues, integrante da Coordenação de Memória, Verdade e Justiça do Instituto Vladimir Herzog, disse que mais do que ver Vlado como um personagem, é preciso compreendê-lo dentro do seu contexto e pensar o que simboliza seu legado: a importância de contar uma boa história.
"É nosso dever moral e político abrir espaço para que as vítimas contem suas histórias, porque, para muitas delas, a memória tem sido a única forma de justiça e um antídoto para que a história não se repita. É pelo Vlado, pelas vitimas da ditadura e pelas vítimas do período contemporâneo brasileiro", complementou Lorrane.
Já para Rogério Sottili, diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, lembrar dos 50 anos da morte de Vladimir Herzog é mais do que um ato de memória, é um chamado à mobilização.
"O assassinato do Vlado foi um marco que registrou o começo da redemocratização do Brasil", disse o jornalista e escritor, Juca Kfouri.
Símbolo de luta
Nascido em 1937, na antiga Iugoslávia - atual Croácia, Vlado Herzog, mais conhecido como Vladimir Herzog, foi um célebre jornalista, professor e cineasta, que se tornou símbolo de luta contra a repressão da ditadura militar no Brasil e defesa da liberdade.
Ele foi torturado e morto em 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) - órgão de repressão política contra os opositores do regime, após comparecer espontaneamente para depor no local.
O regime forjou o crime de Vladimir divulgando uma fotografia à imprensa que mostrou um falso suicídio e provocou questionamentos na época. Para Suplicy, a verdade sobre seu assassinato prevaleceu escancarando os horrores da ditadura.
"Na época, não acreditei na notícia do seu suicídio, porque Vlado amava a vida. Vlado foi um herói para o Brasil e para o Jornalismo", complementou Rose Nogueira que foi sua colega de trabalho.
Cerca de 8 mil pessoas se reuniram no entorno da catedral da Sé para a missa de sétimo dia do jornalista. O ato ecumênico foi um marco de resistência contra o regime ditatorial e a luta pela redemocratização e pelos direitos humanos.
Em 2018, a Corte Interamericana de Direitos Humanos publicou a condenação do Estado brasileiro pela falta de investigação, julgamento e punição aos responsáveis pela tortura e assassinato de Vlado. O tribunal internacional também considerou que o Estado foi responsável pela violação ao direito, à verdade e à integridade pessoal, em prejuízo dos familiares de Herzog.
Carreira
A carreira de Vladimir foi marcada por passagens em veículos de comunicação, como "Estado de São Paulo", TV Excelsior, Rádio BBC de Londres, Revista Visão.
"Tive a honra de trabalhar com Vlado na revista Visão e percebi nele um homem que acreditava na ética do Jornalismo e na força da palavra", comentou Suplicy.
Ele também foi diretor de jornalismo da TV Cultura, emissora pública de São Paulo, e professor de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e da FAAP.
"Vlado foi o melhor professor que alguém poderia ter e ao mesmo tempo era pai de todos na redação, porque sempre nos ajudava", disse a jornalista Rose Nogueira.
Presenças
Durante a cerimônia estiveram presentes Adriano Diogo, ex-deputado estadual e ex-presidente da Comissão Estadual da Verdade "Rubens Paiva" e a vereadora da cidade de São Paulo Luna Zarattini.
Também estiveram presentes personalidades, como José Genuíno, ex-deputado federal; Bruno Lazzari de Lima, presidente do Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (Sinpcresp), Denílson Mirim, diretor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) - unidade Sorocaba e Marcos Secco, presidente da Associação Brasileira de Criminalística.
Assista à Sessão Solene, na íntegra, na transmissão feita pela Rede Alesp:
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