Encontro do projeto 'Cultura Humana' celebra identidade e memória do povo armênio
25/05/2026 15:46 | História | Daiana Rodrigues - Foto: Bruna Sampaio
A Divisão da Biblioteca e Acervo Histórico (DBAH) da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo promoveu, nesta segunda-feira (25), a primeira edição de 2026 do evento "Cultura Humana". A atividade celebrou a identidade da cultura armênia, destacando aspectos de sua geografia, população, trajes típicos, curiosidades e influência histórica no estado.
O projeto "Cultura Humana" realiza encontros semestrais com palestras e apresentações dedicadas à cultura de diferentes países e etnias. A atividade busca ampliar o olhar do público e estimular a reflexão crítica sobre a produção intelectual e histórica de diversos povos. Os temas de cada edição são inspirados em livros, documentos e materiais do acervo bibliográfico e histórico da Alesp, explica a analista legislativa Mariana Chiuso.
O público, formado principalmente por crianças e adolescentes, acompanhou duas apresentações de dança armênia do grupo "Kilikia": uma do núcleo infantil e outra do núcleo jovem.
Fundado há cerca de 18 anos, o nome do grupo é inspirado em uma antiga aldeia do país. Por meio das danças tradicionais, o "Kilikia" preserva a memória e a identidade do povo armênio com coreografias em roda, marcadas por mãos dadas, pequenos saltos e movimentos realizados com lenços.
Armênia na Alesp
Durante o evento, o analista legislativo Allan Fonseca apresentou documentos do acervo histórico da Alesp que registram a presença e a atuação da comunidade armênia no estado de São Paulo, especialmente no Parlamento Paulista.
Segundo Fonseca, os primeiros deputados estaduais de origem armênia foram eleitos para a terceira legislatura da Alesp no período pós-1947, entre 1955 e 1959. O analista também destacou marcos legislativos relacionados à comunidade armênia no estado.
Entre eles está a Lei 6.468/1989, que instituiu o "Dia da Solidariedade com o Povo Armênio". Mais tarde, em 2015, foi aprovada a Lei 15.813/2015, que criou o "Dia do Reconhecimento e Lembrança às Vítimas do Genocídio do Povo Armênio" no estado de São Paulo. As duas datas são celebradas em 24 de abril.
Imigrantes armênios em SP
O evento também contou com a palestra do professor Sarkis Ampar Sarkissian. O especialista contou sobre a história, religião e economia do país, características da comunidade armênia e processo de imigração do povo para o Brasil.
"Ao contrário de muitos imigrantes japoneses e italianos que se fixaram no campo e nas fazendas devido à prática da lavoura, a maioria dos armênios se estabeleceram nos centros urbanos paulistas por já terem um habilidade comercial e industrial", explicou Sarkissian.
Sobre a Armênia
A Armênia é um país pequeno e montanhoso localizado entre a Europa Oriental e a Ásia Ocidental. Faz fronteira com Geórgia, Azerbaijão, Irã e Turquia. Sua capital é Erevã, uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo.
A Armênia tem uma das histórias mais antigas do planeta. O Reino da Armênia existia já na Antiguidade, e o país é especialmente conhecido por ter sido o primeiro Estado a adotar oficialmente o cristianismo como religião de Estado, em 301 d.C.
Um dos eventos mais marcantes de sua história foi o Genocídio Armênio, ocorrido durante a Primeira Guerra Mundial, entre 1915 e 1917. Estima-se que cerca de 1,5 milhão de armênios tenham morrido no então Império Otomano. Esse tema continua sendo muito sensível politicamente, especialmente nas relações com a Turquia.
Após séculos sob diferentes impérios, a Armênia integrou a União Soviética até conquistar sua independência em 1991.
Assista ao evento na íntegra, em transmissão da TV Alesp:
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