Ligação entre computação quântica e soberania pauta debate na Alesp
06/11/2025 18:09 | Tecnologia | Da Redação - Fotos: Bruna Sampaio
Riscos e oportunidades da computação quântica para a soberania nacional marcaram um debate nesta quinta-feira (6) na Assembleia Legislativa de São Paulo, solicitado pelo deputado Tomé Abduch (Republicanos). Especialistas ressaltaram que dominar a tecnologia é estratégia vital para o desenvolvimento econômico e científico e para a segurança cibernética do país. Eles advertiram que os computadores quânticos - dotados de desempenho muito superior aos convencionais - podem, ao mesmo tempo, ameaçar a defesa nacional e impulsionar avanços em áreas como o agronegócio e a saúde.
Tomé Abduch afirmou que a computação quântica tem o potencial de "revolucionar a forma como lidamos com inúmeros desafios contemporâneos". Para o parlamentar, é crucial que o Brasil construa uma infraestrutura quântica própria para reduzir a dependência tecnológica externa. Nesse ponto, ele destacou a contribuição paulista à pesquisa quântica brasileira, citando projetos como o submarino nuclear desenvolvido em Iperó. O deputado ressaltou ainda que o país deve investir na formação de cientistas. "Negligenciar essa tecnologia é condenar o futuro dos brasileiros", frisou Abduch.
Em crítica à burocracia governamental, o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) reclamou do "ímpeto de criar marcos regulatórios" que, em sua opinião, transforma-se em obstáculo ao florescimento do ecossistema tecnológico. "O Brasil está se regulando para fora da inovação. Nenhuma evolução virá; ou seja, não haverá inovação", pontuou. Para Bragança, o foco deveria ser a criação de mecanismos que incentivem o empreendedorismo nas cadeias produtivas ligadas a tecnologias emergentes, como computação quântica e inteligência artificial.
Revolução Quântica
No evento, o físico Luiz Augusto Silvestre Luccas afirmou que uma das principais contribuições da tecnologia quântica é reduzir a complexidade para solucionar problemas que "computacionalmente são impossíveis de serem resolvidos" pela computação clássica. Segundo ele, o potencial revolucionário decorre de propriedades quânticas (superposição, emaranhamento e interferência) que, combinadas, permitem simular, em tempo muito menor, novas moléculas para medicamentos, desenvolver defensivos agrícolas mais sustentáveis e implementar a criptografia pós-quântica e mapear riquezas no subsolo.
O cientista considera que o Brasil reúne capacidade científica para ser um protagonista na era quântica, mencionando, como exemplo, o chip quântico desenvolvido pela Unicamp - tecnologia que "poucos países do mundo têm esse tipo de conhecimento". Luiz Augusto cobrou mais financiamento público para as pesquisas quânticas e ressaltou que, por questões de soberania, outras nações já impõem um verdadeiro bloqueio tecnológico. "Nenhum país, com exceção do Japão, constrói um computador quântico sozinho. Está sempre comprando de outras empresas [estrangeiras]", afirmou.
Ecossistema integrado
O pesquisador em tecnologias emergentes Daniel Moraes ressaltou que a colaboração entre governos, indústria e universidades é essencial para o desenvolvimento de tecnologias quânticas, que, além do alto custo, exigem um ecossistema robusto e integrado. O especialista argumentou que, para o país se destacar na corrida da computação quântica, é importante estabelecer uma estratégia nacional de proteção tecnológica. Ele alertou para a fuga de cérebros e destacou a necessidade de criar condições que incentivem os profissionais a permanecer e a desenvolver pesquisas no Brasil.
Painel técnico
Durante o evento, diversos especialistas, acadêmicos, estudantes e representantes de instituições apresentaram visões que exploraram a relevância do tema. O pós-doutor em tecnologias quânticas pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), Lester de Abreu Faria defendeu a necessidade urgente de uma estratégia quântica nacional que una talentos e instituições, afirmando que a soberania digital depende desse domínio.
Assista ao seminário, na íntegra, na transmissão da Rede Alesp:
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