FuncionAL - Com vocês, Iuri


10/08/2018 16:27 | Entrevista | Natacha Jones - Fotos: Carol Jacob

Iuri Rutkowski<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2018/fg226475.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>  Iuri Rutkowski <a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2018/fg226589.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Iuri é o caçula de uma família de três irmãos. Sua origem polonesa lhe traz sempre à lembrança o bisavô Pedro Rutkowski - primeiro dos parentes a chegar no Brasil, em 1888. "Homem de fibra, que comandou os trabalhos da construção da estrada de ferro e pontes em diversas cidades do interior paulista, em um Brasil ainda selvagem", relata.

Criado na periferia de São Paulo, em São Miguel Paulista, sua mãe era professora, e seu pai, inspetor de cobrança. Ele lembra com carinho da avó materna Etelvina Carmona. "Ela teve dois filhos e criou mais sete crianças. Era benzedeira e tinha o dom de agregar pessoas em torno de si. Foi com ela que tive mais convivência."

Segundo Iuri, na família havia dois tons - o lado mais sisudo e frio polonês e o lado mais alegre dos espanhóis e portugueses. Ele acredita que essa mistura deu equilíbrio ao seu jeito de ver o mundo. "Cresci sem focar nas diferenças estéticas ou sociais das pessoas, sempre com o enfoque no que elas tinham de bom internamente. Para mim nunca houve estranheza nas relações com amigos negros, nordestinos e pessoas da periferia, por exemplo. Até porque não há diferença."

A sua trajetória profissional é longa. Ele teve o primeiro emprego aos 11 anos e, na época, pressionava o pai para que o deixasse trabalhar. "Foi em um depósito de material de construção e eu fiquei muito feliz." Dois anos depois, era funcionário de uma farmácia, e depois passou por um açougue e uma padaria.

Já um jovem bastante articulado aos 17 anos, decidiu partir para o comércio de mercadorias, que comprava no Paraguai. "Eu ligava para minha mãe de lá e ela me passava as encomendas. Era o famoso sacoleiro". Pouco tempo depois, foi prestar serviço na empreiteira de um tio.

O percurso não foi fácil. A família não tinha condições de custear a faculdade, e ele trabalhava para investir nos estudos. "Carros, motos, bens materiais não eram meu objetivo, a educação sempre foi prioridade. Até hoje lembro o tema da redação para entrar na universidade. "Tudo é ousado para quem a nada se atreve", e isso me marcou porque, pessoalmente, vejo o quanto tive de ousadia!", conta. Ele se formou em Direito na Faculdade Unicastelo.

Com 21 anos, Iuri decidiu prestar concurso público e tornou-se policial militar. Em paralelo, continuava comerciando, só que agora com carros. "Comprava o veículo das seguradoras e revendia", disse. Em 1994, veio a crise econômica, que atingiu em cheio seu negócio. Ele decidiu mais uma vez inovar e tornou-se sócio do sogro em uma lanchonete.

Alesp

Em 1995, pediu exoneração da polícia e tornou-se representante comercial. Nesse momento, recebeu um convite para trabalhar na Assembleia Legislativa de São Paulo. "Eu recebi um telefonema para me apresentar na Secretaria Geral de Administração (SGA). Estava formado, tinha experiência em diversas áreas, isso me ajudou", relata.

As reviravoltas na trajetória não fizeram com que Iuri fosse um mero expectador: viveu cada uma delas intensamente. Na Alesp, não foi diferente: "Houve muita evolução nos processos, que eram bastante rudimentares. Muitos papéis, cadernos, livros, tudo foi impulsionado - seja pelas tecnologias, seja pela chegada de pessoas mais novas que produziram mudanças com a contribuição e o apoio dos mais antigos", fala. Iuri explica que a SGA é o nascedouro da nomeação dos servidores. "É ali onde se observa a rigidez da forma exigida pela lei para que tudo esteja perfeito para a posse do funcionário", diz. Logo que assumiu o cargo, era responsável pela conferência dos atos administrativos pertinentes à Mesa Diretora " a exoneração, a nomeação, entre outras publicações do Diário Oficial.

Ele conta que, com o tempo, outras atividades foram agregadas a sua rotina, como o controle do espaço físico da Casa (Salão dos Espelhos, Café São Paulo) e ainda mais especificamente da agenda de eventos, da entrada e saída no prédio e também de inúmeras outras demandas que eventualmente precisem ser encaminhadas para providências em setores específicos.

Atualmente, segundo explica, a digitalização de documentos tem ajudado a garantir mais segurança na informação e no acesso aos documentos. "Como isso se atrela ao princípio da economicidade, ainda há muito a caminhar. Entretanto, é preciso ficar atento para que não haja um engessamento dos procedimentos", disse.

Além de suas atividades na SGA, Iuri também participou do Comitê Gestor da Fundação de Previdência Complementar do Estado de São Paulo (SP/Prevcom) nos anos de 2015 a 2017.

Já são 13 anos trabalhando como servidor público. "O que me move a estar na Alesp são os enormes desafios. Quando você passa a fazer parte de uma equipe tão dinâmica, importante e grande como acontece na Assembleia, você passa a entender melhor todos os processos."

Iuri mora em Mogi das Cruzes e encara 75 quilômetros para vir e voltar todos os dias. Ele diz que sua motivação para tal é fazer parte dessas mudanças. "É muito enriquecedor estar na SGA, porque você faz e vê a diferença acontecendo na prática", explica.

Ele conta que concluiu neste semestre a pós-graduação em Gestão de Políticas Públicas no Poder Legislativo. O curso foi fruto de uma parceria entre o Instituto do Legislativo Paulista (ILP) e a Universidade de São Paulo (USP), oferecido na Casa. "Eu acho o ILP muito importante. Faço muitos cursos e conheço pessoas, aproveito ao máximo as oportunidades oferecidas."

Uma vida movida por desafios, lutas e persistência. A história de Iuri certamente está em franca caminhada. Quando questionado sobre expectativas, ele responde: "Desejo manter um olhar previdente e sonhador, para poder fazer as mudanças. Mas sempre com cautela, observando as tendências, as possibilidades e as opções."