Audiência debate privatizações de complexos esportivos
Em março deste ano, o governador João Doria apresentou o modelo para concessão do Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães - Ginásio do Ibirapuera " para a iniciativa privada por 35 anos e investimento mínimo de R$ 220 milhões.
Para debater o assunto, o deputado Carlos Giannazi (PSOL) promoveu uma audiência pública na Assembleia Legislativa com a participação de representantes de modalidades esportivas, atletas, ex-atletas e membros da sociedade civil.
De acordo com Giannazi, existem vários serviços e espaços usados pela população que serão extintos com a privatização. Ela (a empresa) não vai se preocupar em formar atletas como no Complexo do Ibirapuera. Queremos reverter essas privatizações através de um projeto de lei ou de ações na justiça", declarou o parlamentar.
O incentivo a uma campanha de esclarecimento da população sobre a importância desses espaços esportivos, em especial o Ginásio do Ibirapuera e o Estádio do Pacaembu, também foram pauta do encontro.
"São casos análogos, um na esfera municipal e outro na estadual, que revelam a ausência de políticas públicas claras para o esporte e o lazer", disse o professor Flávio de Campos, um dos debatedores do encontro.
Em setembro, o prefeito de São Paulo Bruno Covas assinou contrato de concessão do Pacaembu para a iniciativa privada. A concessionária Allegra assumirá o local por 35 anos e incluirá os cuidados com o campo de futebol, a piscina, duas quadras de tênis e o ginásio poliesportivo. A concessão também inclui a demolição do tobogã para construção de prédio comercial. A Praça Charles Miller e o Museu do Futebol estão fora do pacote.
Stela Daldati é arquiteta e usuária do Pacaembu e criticou a privatização do espaço. "O edital foi feito basicamente para tornar possível alguém manifestar interesse. Tem horas reduzidas de uso, por exemplo, do uso da piscina, de apenas 5h semanais. Nas outras horas a concessionária pode fazer o que quiser. Então não favorece a população. Essa é a nossa questão. Estamos tentando na justiça questionar todos esses pontos", finalizou.
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