Fortalecimento das ferrovias é vital para o desenvolvimento e criação de empregos
O fortalecimento do setor ferroviário, que já prestou tantos serviços ao Estado de São Paulo e ao Brasil de forma geral, é uma das medidas estratégicas fundamentais para alavancar o desenvolvimento e contribuir para a geração imediata de renda e emprego. Uma forte redução nos custos de transporte de cargas e a diminuição dos acidentes rodoviários são outros relevantes impactos positivos decorrentes de uma decisão pactuada, entre governos e sociedade brasileira, pela retomada em grande escala do transporte ferroviário.
A minha região de origem, nas cidades de Campinas e Sumaré, é um exemplo do poder de transformação e crescimento proporcionado pelas ferrovias. Essa região foi, de fato, entre o final do século 19 e início do século 20, um dos principais polos ferroviários do Brasil, constituído por ferrovias como a Companhia Paulista e Companhia Mogiana, que entraram em operação, respectivamente, em 1872 e 1875
Essas duas ferrovias, sobretudo, foram determinantes para tornar o interior de São Paulo o principal produtor e exportador de café do Brasil naquele período. Diversos núcleos urbanos, que hoje são grandes e progressistas cidades, evoluíram a partir dessa contribuição das ferrovias, que permaneceu até a década de 1970, quando lamentavelmente esse meio de transporte passou a declinar e receber menor incentivo governamental.
Com essa mudança de postura, houve uma transformação total no sistema de transporte de cargas e passageiros. Ao contrário do que ocorre em países de dimensão continental como o Brasil, o modal ferroviário foi diminuindo de importância, até chegarmos à situação que verificamos hoje.
Cerca de 53% das cargas são transportadas por rodovias, contra apenas 27%, aproximadamente, transportadas por ferrovias, e isso em função da política de concessões executada desde a década de 1990. Antes dessa política o percentual transportado por ferrovias era ainda menor. Com as concessões, o tráfego ferroviário triplicou em duas décadas, no período de 1998 a 2018.
Para se ter uma ideia de como o Brasil não tem investido no setor, dados da Fundação Dom Cabral indicam que o valor dos ativos de infraestrutura brasileira é de apenas 12% do PIB, em comparação com os 65% do Japão e 50% dos Estados Unidos, dois países que sempre investiram pesado em ferrovias. Mesmo sendo um dos maiores países do planeta, o Brasil tem somente 14 mil km operacionais de ferrovias, contra 195 mil km de rodovias, ainda segundo dados da Fundação Dom Cabral.
É vital, é urgente, um maior investimento em ferrovias, com a consolidação da política de concessões à iniciativa privada. Com o fortalecimento da ferrovias, haverá uma significativa redução do chamado Custo Brasil e, portanto, maior possibilidade de investimento nas atividades produtivas de geração de renda e emprego, sem falar nos efeitos positivos na redução de congestionamentos nas grandes cidades e dos absurdos números de acidentes em nossas rodovias, que deixam anualmente milhares de famílias na dor e no desespero. Fortalecer as ferrovias é patriótico e uma medida totalmente favorável à vida!
*Dirceu Dalben é deputado estadual pelo PL
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